Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014
Eleições europeias

As eleições para o Parlamento Europeu estão marcadas para o próximo dia 25 de maio e, tanto quanto se pode constatar, parece não haver grande interesse por esse ato eleitoral. Os partidos do governo, CDS e PSD, aparentemente, não dão sinais de preocupação e, por razões estratégicas, estão a tentar preparar um ambiente mais propício ao lançamento da campanha; aproveitando uma ligeira e momentânea melhoria dos indicadores da evolução da economia com aumento das exportações e uma ténue redução dos números do desemprego, desataram numa propaganda desenfreada tentando convencer tudo e todos da bondade das suas políticas, enquanto reservam a tomada de medidas mais duras para depois daquele ato eleitoral.

Na oposição, são conhecidas as decisões do PCP e do Bloco, com o anúncio dos respetivos candidatos e, de um modo geral, a sua vontade de ver o país fora da União e da moeda única, ou, pelo menos, fora desta União e desta moeda única. O maior partido, o PS, parece aguardar pela decisão dos partidos do governo para se lançar na corrida, enquanto ultima os retoques na sua estratégia, de modo a limar arestas que, ao que parece e como é costume, complicam a tomada de decisões.

 Fora das forças políticas com assento parlamentar são conhecidas as candidaturas do Partido da Terra que apresenta o ex - bastonário do Ordem dos Advogados, Marinho Pinto e do Partido da Nova Democracia que também preconiza a saída da moeda única e cujo candidato é o ator Nicolau Breyner.

A tradição diz-nos que os eleitores portugueses não costumam dar a estas eleições a devida atenção com a abstenção a atingir números elevados; o atual clima social, com um descontentamento generalizado pelo agravamento das condições de vida e o descrédito em que caíram tanto a classe política como as políticas que levam a cabo são fatores que mais potenciam esse alheamento e que tendem a agravar os números da abstenção. E isto parece-nos ser demasiado perigoso para ser encarado com toda a aparente passividade que o silêncio de alguns denuncia. É cada vez mais evidente que as políticas internas dos países da União Europeia são muito mais o resultado do que é imposto de fora para dentro do que o que resulta das vontades e necessidades internas; pior, ainda, quando se trata de pequenos países com debilidades de toda a ordem, como é o nosso. É neste quadro que a preocupação dos eleitores, no nosso caso em particular, terá que ser a de tentar mudar a classe dirigente, a que domina os órgãos centrais da governação e, consequentemente, dita as políticas que hão de condicionar as nossas vidas. Presentemente, as forças de direita são maioritárias e dominam tanto a Comissão como o Parlamento Europeu e norteiam a política do Banco Central. Não surpreende que assim queiram continuar e desenvolvam a sua ação nesse sentido. Internamente, a coligação dos partidos de direita dá mostras de uma capacidade de entendimento que as forças de esquerda não têm e o silêncio e as cautelas com que tratam o assunto deixa claro que não querem que se mexa muito nisso e, quando se mexer, que se faça com garantias de sucesso; porque, para a direita, de um modo geral, as coisas estão bem como estão. O que não se compreende é que as forças de esquerda, para além de não serem capazes de acertar posições e desenvolverem esforços comuns, ainda se confrontem e continuem num silêncio quase total que ajude a consolidar a falsa ideia de que não há outro caminho e que não vale, sequer, a pena tentar. E aqui a falha tanto é dos que se apressaram a anunciar candidatos como dos que continuam em silêncio, porque mais importante do que os nomes será alertar para os perigos da continuidade das atuais políticas, mobilizar as pessoas para um forte empenhamento no ato eleitoral e apresentar propostas convincentes e credíveis que as levem a acreditar e votar nelas.

Por tudo isto se nos afigura que as eleições do próximo dia 25 de maio são demasiado importantes para que se continue na passividade reinante, não se esclareçam e alertem as pessoas para os perigos que poderão resultar do seu alheamento.

É preciso mudar! E para mudar é preciso votar! Mas para que se vote é preciso que haja motivação e propostas credíveis!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 21:31
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