Sexta-feira, 17 de Julho de 2015
A Grécia

Quando nasci, ainda andavam no ar os ecos da 2.ª guerra mundial. Não admira que tenha passado a minha infância a ouvir “estórias” sobre os horrores dessa guerra e que na minha memória se tenham construído imagens que não mais se apagaram e que, ainda hoje, fazem, de forma automática, a inevitável ligação: Alemanha – Hitler – nazismo – holocausto – ocupação – humilhação – fome – morte. Que me desculpem os alemães de hoje, os seus admiradores, seguidores, apoiantes, defensores e por aí adiante, que não se revêem na doutrina e na ação dos anos de 1939 – 45. Eu sei que haverá muita gente dessa que se envergonha desse passado, não o aprova, nem o quer ver repetido. Mas o que nos dias atuais se constata é que algo daquele ADN parece ter permanecido e sobrevivido ao tempo, assim tipo vírus adormecido e, aí está, a vontade de mandar e dominar, de tempos a tempos, vem ao de cima.

Vem isto a propósito de um artigo que li sobre a ocupação da Grécia pela Alemanha, de 1941 a 45, os horrores e humilhações perpetrados a todo um povo que pagou bem caro o facto de não ter aceite o invasor e de se ter rebelado contra os opressores – falava o artigo em cerca de 500 mil mortos, naquele período, muitos dos quais à fome. E, ainda, com o folhetim atualmente em cena, Grécia de manhã, à tarde e à noite, a mendigar os euros de que precisa para sobreviver, com os “donos” da Europa, alemães à frente, a chantagear e a comandar, os seguidores a aplaudir, a “bater” e a fugir, ou mesmo a esconder, quando não são capazes de dar a cara.

Não dá para defender os gregos, a maneira como se têm gerido nas últimas décadas, pelo que fizeram e pelo que deixaram de fazer. Parece elementar concluir que são os gregos os principais culpados da situação em que se encontram. Mas não se podem isentar de culpa os que os ajudaram a cair no buraco, aqueles que sabem e sabiam muito bem que um povo que pede é um povo que perde autonomia e que, mais tarde ou mais cedo, se não arrepia caminho, será um povo subjugado. Podemos mesmo conjeturar que, quando se passam anos e anos a injetar milhares de milhões de euros na economia grega e não se faz a monitorização da aplicação desse dinheiro e não se avalia a eficácia dessa aplicação, das duas, uma: se não é negligência será má fé. E, se a primeira é má, a segunda ainda é pior. O que parece é que, enquanto a Grécia teve governos que, de uma maneira ou de outra, foram pactuando com o sistema, ou seja, não foram cumprindo muito bem as suas obrigações, mas foram andando, de dívida em dívida, alimentando os credores, bancos alemães incluídos, os “donos” da Europa foram suportando. Quando aparece um governo de extrema-esquerda, a insurgir-se contra o sistema, a coisa mudou; os “donos” não admitem que alguém os conteste ou ponha em causa os seus interesses. O resultado está à vista!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 16:10
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