Sexta-feira, 25 de Agosto de 2017
Eleições autárquicas

Quem pensa (se é que alguém se atreve a pensar isso) que a política é um mundo de transparência, de lisura, de respeito pelos outros, onde a verdade é palavra sagrada e a honradez, a honestidade e o compromisso são invioláveis corre o risco de se enganar. Porque, de facto, há sempre três hipóteses: sim, não e talvez. E o que faz a diferença entre estas três hipóteses está, muito simplesmente, nos protagonistas, não só na sua competência, nas suas qualidades pessoais e da equipa que o rodeia, mas também, e principalmente, na ideia que se formula sobre cada um e na consequente confiança que nele se deposita. Por razões objetivas ou subjetivas. Por simpatia, por aquilo que fez ou deixou de fazer, por aquilo que diz que vai fazer, mesmo sem saber se pode ou não fazê-lo, por ideologia, por espírito de grupo ou, simplesmente, por tradição. E é na procura da solução que cada um acha a melhor que se disputam eleições e os escolhidos serão sempre os melhores, mesmo que, de facto, o não sejam.

As eleições autárquicas de 1 de Outubro próximo, no concelho de Ourém, têm uma caraterística muito especial, porque se verifica uma situação nunca antes vista: por decisão do tribunal e depois da coligação PSD/CDS ter requerido a impugnação da candidatura do cabeça de lista à Câmara Municipal pelo Partido Socialista, o ainda Presidente Paulo Fonseca não pode concorrer a novo mandato. O motivo nada tem a ver com a sua atuação no cargo de Presidente, que o é há oito anos, mas sim com uma situação antiga, anterior á sua condição de autarca, que diz respeito a uma empresa de que foi sócio e onde os negócios correram mal e o facto de ter dado o seu aval a determinados compromissos o levaram à condição de insolvente.

É assim que uma circunstância que nada tem a ver com o problema autárquico pode, de um momento para o outro, mudar todo o cenário do próximo ato eleitoral neste concelho. Enquanto que o cabeça de lista daquela coligação, ainda vereador da Câmara Municipal, acusado de corrupção, foi a julgamento pelo tribunal de Santarém, viu o seu problema resolvido com absolvição e não tem qualquer obstáculo à sua candidatura autárquica.

É caso para nos questionarmos: afinal, o que é que, pelo menos aparentemente, pode ser mais importante, ou mais prejudicial, para a gestão do Município: um Presidente que tem que deixar de o ser por motivos alheios ao desempenho do seu cargo, ou um vereador que foi julgado por corrupção, mas que, ao ser absolvido, pode continuar a sê-lo, ou, eventualmente, chegar a Presidente?

E que leis são estas e que decisores temos que parecem ser tão rigorosos nuns casos e tão benevolentes noutros? Ou será que toda esta discrepância é, apenas, aparente e a nossa ignorância ou má informação é que nos levam a fazer juízos errados?

De qualquer maneira, as próximas eleições autárquicas no concelho de Ourém não vão ser o que se previa que fossem. Cabe aos políticos locais esclarecer, devidamente, os seus concidadãos sobre toda a verdade dos factos passados e projetos para o futuro e cabe aos eleitores pensar e avaliar cada uma das candidaturas e decidir de acordo com o que acharem melhor para a sua terra.

 

O.C.



publicado por ouremreal às 11:38
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