Sábado, 25 de Maio de 2013
A Constituição da República

Quando completei o então chamado “curso complementar do liceu” (antigos 6.º e 7.º anos) que dava acesso à Universidade, o programa curricular era composto por 6 disciplinas, as célebres “cadeiras”, das quais a o.p.a.n. (organização política e administrativa da nação), era obrigatória.

E foi nesta cadeira que tive uma das notas mais baixas – 12. O que diz bastante da minha falta de capacidade para entender aquela Constituição Política de 1933, (e era só disso que tratava a cadeira durante os dois anos do curso), não porque eu tivesse uma formação política (que não tinha, de todo) que me levasse a rejeitá-la, nem o contrário; mas, principalmente, porque não entendia o seu conteúdo, nem tive a sorte de encontrar um professor que a aprofundasse, explicasse ou explorasse, ao ponto de provocar a discussão deste ou daquele artigo que pudesse, eventualmente, suscitar o contraditório.

Eu sei que antes de 1974 era impensável ir para uma aula do 7.º ano “discutir” a Constituição! Quem se atrevia a correr esse risco!?

O que se pretendia e exigia, pelo menos na experiência que tive, era ler, realçar e aceitar a “bondade” do que estava escrito. Não tenho ideia de alguma vez ter ouvido alguém, docente ou discente, atrever-se a fugir desse caminho. Mas, uma coisa é certa: era cadeira obrigatória! E, como tal, tinha de se falar nela, correndo os riscos inerentes a esse exercício.

Quase 40 anos passados, neste Portugal do pós - 25 de Abril, quando um partido político apresenta na Assembleia da República uma proposta no sentido de tornar obrigatória a inclusão do estudo da Constituição da República no 3.º ciclo do ensino básico, a mesma é rejeitada pela maioria, e um deputado do PSD diz que “os alunos não devem ter nenhum contacto com esta Constituição.”

Isto é, no mínimo, inacreditável!

Não sei se o tal sr explicou, ou não, o porquê da sua posição. Tanto me faz! A leitura que faço do que ele disse é simples:

Em primeiro lugar - ele e muitos como ele nunca “encaixaram” bem a Constituição da República de 1976 e, nem com as alterações sucessivas que lhe impuseram, a conseguem “engolir”; talvez a de 1933 fosse,para eles, menos indigesta!

Em segundo lugar – os mesmos acham que o contacto dos jovens com a nossa Constituição pode transformar-se num perigo, porque uma juventude mais esclarecida politicamente é uma ameaça constante à paz podre a que nos querem submeter; enquanto, ao contrário, uma juventude mal informada será, por princípio, uma juventude menos reivindicativa, logo, mais pacífica e por consequência mais fácil de controlar.

Acho que se enganam!

Tal como o controlo repressivo do dr Salazar não evitou que o 25 de Abril de 1974 acontecesse, também estas atitudes de autoritarismo dissimulado irão acabar por, mais cedo ou mais tarde, talvez mais cedo que tarde, destapar a verdadeira face destes atores que nos calharam em sorte (pouca sorte), destes protagonistas de tristes cenas com que nos tentam distrair, com o objetivo de nos conduzir a uma posição de não retorno, onde todos seremos, finalmente, “felizes para sempre”!

E quando tivermos o discernimento necessário e suficiente para identificar a sua verdadeira face, estaremos aptos a recusar a “felicidade” que nos querem oferecer e escolher o caminho certo!

É uma esperança!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 21:01
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