Domingo, 16 de Outubro de 2011
Feriados e pontes

Há dois dias atrás, quando se falou sobre a alteração de feriados que o governo quer levar a cabo para “diminuir as ausências ao trabalho e acabar com as pontes” foi entrevistado por um canal de televisão um sr. padre, de que desconheço a identidade e que, em nome da organização a que pertence, a Igreja Católica, proferiu, mais ou menos estas palavras, “pontes só as dos arquitetos e engenheiros e não as pontes da preguiça”, acrescentando que a sua Igreja concordava com a alteração dos feriados e a abolição das pontes estando mesmo disponível para alterar as datas de alguns feriados religiosos.

Esta conversa deixou-me a pensar!

Primeiro -  Aquele sr. deve ser um trabalhador (?) daqueles que por mais que trabalhem nunca se cansam; logo, não precisa de descansar; se lhe derem a oportunidade de o fazer, ele recusa-a porque, se não precisa, cai inevitavelmente na preguiça. E isso não é mau! É péssimo!

Segundo -  Pertence a uma classe privilegiada; não consta que haja padres no desemprego, não precisam de sindicatos para nada, não precisam ir às manifs, porque não há nada a reivindicar, não sei que contrato têm com a entidade patronal, não sei quanto ganham, nem quem lhes paga, não sei se pagam renda, água, luz e gás das casas onde vivem, não têm filhos para criar, enfim, pelo que parece não têm os mesmos problemas do cidadão comum a começar pela não necessidade de pontes para o que quer que seja, nem sequer para descansar. E, não tendo os mesmos problemas do cidadão comum, é natural, normalíssimo, que reaja de modo diferente a factos da vida real, como o caso dos feriados e das pontes. Só que, e por isso mesmo, não tem o direito de qualificar de preguiçosos aqueles que aproveitam as pontes que lhes derem, se e quando lhas derem, para fazerem o que muito bem entenderem, até mesmo para preguiçar.

Terceiro – Não entendo, a não ser como um exercício de pura demagogia, como é que um governo, ou uma entidade patronal qualquer, fala em pontes. Como se as pontes fossem mais do que uma benesse que é (ou não é) dada ao trabalhador. É prejudicial? Arruína o país, a empresa? É fácil de resolver. Não se concede. E ponto final.

Quarto – Há feriados a mais? Há feriados que não se justificam? Admito que sim. Quais é que não se justificam? Nunca pensei nisso! Mas os que invocam datas importantes da nossa história, como, por exemplo, 1º de Dezembro, 5 de Outubro, 25 de Abril parecem-me “inegociáveis”.

Por último - Quanto aos feriados religiosos, tanto quanto sei, só se assinalam os da religião católica o que me parece um exagero, pois, embora maioritária, essa religião não é única em Portugal. A abertura da Igreja para negociar as datas dos feriados religiosos parece-me acertada. Chamem-se as religiões todas e acerte-se o calendário. Façam um esforço e entendam-se!

Pela parte que me toca, não tenho nada contra feriados, nem pontes!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 22:02
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