Domingo, 16 de Outubro de 2011
Gorduras

E primeiro que eu percebesse o que são as gorduras do Estado…!!!

Há uns meses atrás, bem ouvia o sr. dr. Passos Coelho a clamar, alto e bom som, que era preciso cortar as gorduras do Estado, acabar com o despesismo, que era impensável aumentar os impostos, que o equilíbrio das contas teria que ser feito com redução da despesa, com aumento das exportações, com o aumento da produtividade, enfim, aquelas coisas todas fáceis de dizer, bonitas de ouvir, mas difíceis (ou impossíveis?) de fazer.

Com esta lengalenga e outras do género, o sr. dr. lá convenceu 2 159 742  portugueses a votarem no seu partido e, juntamente com os seus vizinhos do rés-do-chão direito constituíram o governo da tal esperança, das tais promessas, da nunca vista justiça social, do respeito por tudo e por todos, principalmente pelos mais idosos, pensionistas, reformados, trabalhadores, etc., etc.

Pensava eu, e mal, que as gorduras do Estado seriam as despesas supérfluas, ou excessivas, como, por exemplo, serviços que não servem para nada, funcionários a mais, tipo assessor para isto e para aquilo, mais chefe de gabinete do assessor, mais secretária do chefe do gabinete e por aí adiante, mais uma frota de viaturas de alta gama, para cada ministério, mais outra para as secretarias de Estado, mais e mais para tudo o que é clientela, mais o que por aí vai por todas essas autarquias abaixo, (e acima), mais o que se consome (e o que não se poupa) por milhares de gabinetes, serviços, departamentos e afins espalhados pelos quatro cantos do país, mais os milhões em viagens, comunicações, deslocações, estadias, almoços e jantares por conta do erário público, mais o desaproveitamento de tanta gente que não produz tudo quanto pode e sabe, mais a subsídiodependência, a todos os níveis, que tão criticada foi, e é, mas que ninguém cuida de regular com justiça e eficácia, mais os ordenados chorudos que alguns iluminados têm de receber, porque os seus super neurónios assim o exigem, sob pena de ficarmos sem eles e, depois, corrermos o risco de ver os seus lugares ocupados por pessoas normais, com vencimentos normais, o que era um desprestígio para a nação, mais a racionalização de todos os circuitos de comercialização, prestação de serviços, contratações, qualquer negociação que envolva o setor público, de modo a eliminar esse mal crónico das derrapagens orçamentais e dos contratos loucos que levam a dívidas que se prolongam por décadas.

São só alguns exemplos do que eu pensava que poderia ser a gordura do Estado. Mas bem me enganei!

Afinal a gordura do Estado é mais ou menos como o colesterol. Há a chamada boa gordura, HDL, as tais lipoproteínas de alta densidade, e a má gordura, de baixa densidade, LDL.

Por aquilo que tenho ouvido e lido sobre as medidas do governo para enfrentar a crise, a parceria público-partidária , Passos-Portas, já identificou a causa de todos os males e vai atacar o veneno, com determinação e, tudo leva a crer, com todo o sucesso:

- A gordura de baixa densidade, a má gordura, a causa maior da crise nacional, a que é preciso combater até à exaustão, quiçá até à exterminação, o ldl do problema, dá pelo nome de  função pública, e o que demais for público, tipo escola pública, saúde pública.

- A gordura de alta densidade, a boa gordura, fica para depois. Até pode ser que, eliminada a má, a hdl acabe por dar jeito. Há que preservá-la, porque há sempre muita parasitagem para alimentar e com esta boa gordura à mão, não vai faltar pasto abundante.

Entre ameaças, palpites, dúvidas, afirmações e desmentidos fica uma certeza:

- Este governo revela uma total inabilidade para encontrar medidas eficazes para combater a crise e, para além de aumentar a receita com mais e mais impostos só consegue mexer na despesa com um ataque feroz ao único setor que domina com facilidade que é a função pública. Vai o subsídio de férias, mais o de natal, mais redução de salários e pensões, vai tudo o que for preciso, porque, no entender do sr. primeiro - ministro, a função pública ganha, em média, mais 15% do que o setor privado. Não é por nada, mas como não acredito em nada do que este sr. diz, seria bom que demonstrasse essa afirmação, com números e situações concretas, ( o que, aliás, não faz para nada do que afirma) para percebermos em que linguagem se exprime, porque, quando entramos no campo dos dialetos, nem tudo o que é dito deve ser interpretado como é ouvido.

 

O.C.



publicado por ouremreal às 15:36
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