Terça-feira, 7 de Junho de 2016
Serviço Nacional de Saúde

Publicado no Diário da República n.º 85, série II, 2º suplemento, de 3 de Maio de 2016, o despacho n.º 5911-B/2016, do Secretário de Estado da Saúde, abriu uma janela de esperança para todos aqueles que têm visto o seu acesso aos cuidados de saúde cada vez mais dificultados.

Este despacho permite que o cidadão, em articulação com o médico de família responsável pela referenciação do seu caso, possa optar por qualquer uma das unidades hospitalares do SNS onde exista a especialidade adequada à necessidade em causa, tendo por base critérios prioritários como o interesse do utente, a proximidade geográfica e os tempos médios de resposta, acessíveis através do Portal do SNS.

No caso concreto do concelho de Ourém que, devido ao estranho e desadequado funcionamento do Centro Hospitalar do Médio Tejo (que, como é sabido e, sobejamente, sentido, tem os três hospitais instalados nas cidades vizinhas de Tomar, a 20 kms, Torres Novas, a 25 e, ainda mais longe, Abrantes, a 70, estando neste a concentração de mais valências para o atendimento a uma vasta população do norte do distrito de Santarém; e não só!), tem vindo a sofrer as consequências nefastas desta organização hospitalar, abriu-se, finalmente, a real e legal possibilidade de acesso ao hospital de Leiria o que era, há muito tempo, reivindicado por autarcas e população oureenses.

É inegável que sendo esta uma decisão fundamental, desejada e saudada, também nos parece que não irá, por si só, resolver todos os problemas do concelho, já que estes se estendem para além do acesso a Leiria.

Em primeiro lugar é preciso redefinir, reajustar toda a complexidade inerente ao funcionamento dos Hospitais, tendo em conta a sua real capacidade de atendimento; não adiantará poder ter a possibilidade legal de aceder a um hospital se ele não tiver capacidade para atender; aliás o médico já nem fará o encaminhamento!

Segundo, o CH do Médio Tejo também tem, (ou poderia ter) para o caso específico do concelho de Ourém (ou uma boa parte dele), e outros limítrofes, um hospital com boas condições de proximidade geográfica (para Ourém o IC9 é uma mais valia) que poderão traduzir-se, também, em bons tempos médios de resposta; refiro-me, concretamente, ao Hospital de Tomar! Impõe-se que seja dotado das valências adequadas, algumas das quais já teve e lhe foram sendo retiradas ao longo dos últimos anos.

Em terceiro lugar e continuando a olhar para o caso do concelho de Ourém, na plena convicção de que não adianta cultivar ilusões, deixo uma opinião que, não valendo mais do que isso, corresponde ao que penso:

Muito beneficiaríamos se tivéssemos um Serviço, Centro de Saúde, ou o que se lhe queira chamar, em que dispuséssemos de um atendimento permanente, com capacidade para receber, atender e encaminhar, quando necessário, com a rapidez e destino adequados, casos urgentes ou de maior gravidade.

Muito beneficiaríamos se dispuséssemos de meios rápidos de intervenção médica capazes de chegar, no mais curto espaço de tempo, ao ponto do concelho onde qualquer cidadão corresse perigo de vida.

E, finalmente:

Como nunca vamos ter o ótimo, continuemos a pugnar por ter o melhor possível, na convicção de que ninguém nos estará a fazer favor, nem a dar nada a que não tenhamos direito. Afinal é para isto que serve (ou devia servir) o dinheiro dos impostos que pagamos.

O que não significa que não saibamos reconhecer e distinguir entre decisores:

- Uns olham para o orçamento e procuram fazer alguma coisa que possa ajudar as pessoas;

- Outros olham para o orçamento e procuram fazer o que mais lhes convém. Para empatar, vão enrolando, entre promessas e mentiras;

Para terminar:

A todos os que contribuíram para que as condições de acesso ao SNS por parte dos cidadãos do concelho de Ourém tenham tido algum progresso deixo o meu aplauso.

 

 

O.C.



publicado por ouremreal às 18:46
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