Domingo, 29 de Setembro de 2013
Campanhas eleitorais

Quando se toma a decisão de concorrer a um ato eleitoral, cada um dos interessados assume o comportamento que acha mais adequado aos seus objetivos, tendo em conta o contexto em que vive, a avaliação que faz das suas próprias capacidades, dos recursos que tem ao seu dispor.

Há quem comece um ano antes a cativar apoios, a assegurar compromissos, a delinear estratégias, assim como há os que deixam tudo para a última hora, convencidos que um excesso de pressão sobre os eleitores acaba por ser cansativo e desmotivador, ou então que achem que a vitória é fácil e não se justifica um grande investimento.

Há os que recorrem a uma estratégia assente no ataque pessoal aos adversários, com mentiras, verdades e meias verdades, na esperança de que “água mole em pedra dura, tanto dá até que fura” e que, à força de tanto bater na mesma tecla, acabe por ser “verdade” corrente aquilo que, de facto, o não é, enquanto outros se mantêm firmes na defesa do que acham ser a sua verdade e vão tentando mostrar, com factos, que a razão está do seu lado.

Há os que conseguem mobilizar apoios estrategicamente colocados, na imprensa, na net, nos blogues, nas associações, nas coletividades, nas aldeias, nas freguesias, em tudo quanto é sítio importante, enquanto outros por inabilidade, por falta de experiência, por falta de influência e até por escassez de meios, nem sempre conseguem contrapor a necessária resistência a esta força que, qual onda devastadora, acaba, muitas vezes, por marcar o rumo dos acontecimentos e ditar um desfecho diferente do que era suposto acontecer.

Há, ainda, os que encaram o ato eleitoral com a normalidade democrática que carateriza, ou devia caraterizar este ato, sem recurso a subterfúgios, sem “habilidades”, a deixar que a pureza das coisas funcione, o que pode ser visto como uma postura romântica que, depois de contados os votos, acabará por se revelar isso mesmo – romântica, a mostrar que a frieza dos números e o romantismo, nesta coisa de eleições, nem sempre casam bem.

Há os que são capazes de fazer uma campanha eleitoral “normal”, dentro dos limites que o civismo recomenda, respeitando os outros, respeitando os orçamentos que a lei impõe. Mas também há os que fazem do civismo uma obrigação alheia, fazem alarde de meios e de gastos que não se compreende em que orçamento terão cabimento, têm uma postura de arrogância que parecem donos de tudo, do quero, posso e mando, e fazem da convivência uma estranha forma de se evidenciarem, de mostrar vaidades e presunções que, muitas vezes, apenas servem para disfarçar fragilidades.

Há os que, por falta de civismo, ou por tática de baixo nível, danificam viaturas e propaganda afixada e os que, quando o desespero começa a apoderar-se da sua capacidade de pensar, não hesitam em fazer uma destruição seletiva de cartazes, escolhendo, preferencialmente, os de maior dimensão, em locais de maior visibilidade, para vitimizar a força A ou B, na esperança de que alguém possa penalizar os adversários dessas forças como pretensos malfeitores.

Há de tudo um pouco nas campanhas eleitorais e, no final, o que conta são os votos de cada força concorrente, são votos sem rosto, anónimos, que vão beneficiar mais uns que outros e que nem sempre beneficiam os que mais os merecem.

 

O.C.



publicado por ouremreal às 19:25
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Segunda-feira, 16 de Setembro de 2013
Eleições autárquicas

O governo e o principal partido da coligação que o suporta estão a transformar as próximas eleições autárquicas naquilo que elas não deveriam ser. Passos Coelho resolveu chamar a si o protagonismo da campanha ao apoiar e incitar os candidatos do PSD ao empenhamento numa luta que nada deveria ter a ver com o que esse mesmo partido está a fazer a nível nacional, com uma governação que, dia após dia, está a destruir o país. Com um previsível agravamento logo após as eleições!

Consciente da má imagem que tem perante a esmagadora maioria dos portugueses, lança mão de um dos poucos recursos que lhe restam e não se coíbe de envolver todos quantos, por razões várias, dão a cara pelo seu partido para as eleições de 29 de setembro. Aproveitando a influência e o prestígio que muitos desses grangeiam a nível local, não regateia incentivos, porque o que importa é capitalizar votos, de modo a obter um resultado que possa disfarçar a má imagem deixada pela governação central. Militantes, simpatizantes, apoiantes de ocasião, tanto faz! É preciso, custe o que custar, vencer estas eleições! Passos Coelho quer transformar essa eventual vitória numa clara manifestação de apoio dos portugueses às suas políticas.

Curiosamente, esses mesmos que estão a ser usados para tais desígnios, parecem aceitar o desafio e, tanto quanto é possível constatar, prosseguem com empenho a tarefa, estando, obviamente, a caucionar com a sua ação, não só os objetivos imediatos e propagandísticos do primeiro ministro e líder do PSD, mas também as suas políticas.

É por isso que estas eleições autárquicas já extravasaram, há muito, o âmbito local, com prejuízo do necessário debate dos problemas locais, esses, sim, demasiado importantes para serem esquecidos. É certo que grande parte dos problemas locais resultam das políticas do governo central! Então, discutam-se também as políticas nacionais. Mas tanto quanto se observa, nem o PSD, nem o CDS, juntos ou separados, parecem interessados nisso. Assim sendo, o único caminho que resta ao eleitor que tencionava votar no PSD, ou no CDS, no próximo dia 29 de setembro, quando se vir perante um boletim de voto, na hora de fazer a decisiva cruz, é pensar no que Passos Coelho pretende e, das duas uma: se aprova as políticas deste governo para Portugal, vota neles; se não aprova, não lhes deve dar o seu voto.

Foi nisto que Passos Coelho transformou as eleições autárquicas.

É a isto que os portugueses também devem responder!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 16:32
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Sexta-feira, 13 de Setembro de 2013
Exame de inglês

O ministro da educação anunciou que, a partir do ano escolar que agora se inicia, vai passar a ser obrigatória a realização de exame final de inglês para os alunos do 9.º ano de escolaridade. Contudo, a nota deste exame não conta para a nota final do aluno. Disse, ainda, que também se podem candidatar a este exame outros jovens com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos; que as provas vão ser organizadas pela universidade de Cambridge e que, quem quiser certificado do respetivo exame vai ter de o pagar; ao que se diz, custa 20 euros.

O meu comentário sobre isto:

1.º - Concordo com a realização do exame, que deverá ter prova escrita e prova oral.

2.º - A nota deste exame deveria contar, juntamente com as notas trimestrais, para a nota final da disciplina; não se compreende que se faça um exame se a nota não conta. Parece brincadeira!

3.º - Concordo que outras pessoas, além dos alunos do 9.º ano, possam fazer esse exame.

4.º - Não se compreende o motivo por que tem que ser um estabelecimento de ensino estrangeiro a garantir a realização das provas, a menos que o ministério da educação não reconheça qualidade aos seus próprios serviços para tal, ou haja eventuais contrapartidas não explícitas à mistura.

5.º - É incompreensível que um aluno que é obrigado a fazer um exame, dentro da escolaridade obrigatória, tenha que pagar o certificado do resultado desse exame; que aqueles que querem fazer o exame sem ser obrigados possam pagar alguma coisa, ainda se compreenderá, mas, mesmo assim, 20 euros por uma folha de papel, com as facilidades informáticas de hoje, parece um exagero.

 

O.C.



publicado por ouremreal às 19:28
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