Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
A Troica da Troika

Até eu ia acreditando...!!!

Que José Sócrates era a causa de todos os males que iam acontecendo a este pobre país...!!!

De facto, não era verdade!

Pensando bem, Sócrates era um misto de causa e efeito.

Causa, porque da sua estratégica visão e ação, da sua vontade própria, enquanto 1º ministro, sairam decisões que em nada contribuiram para que deixássemos de caminhar para a situação a que chegámos; e, depois, porque da ação do seu governo e por vontade e decisão doutros, continuámos a caminhar no mesmo sentido.

Efeito, porque uma grande percentagem do que teve de ser feito, ou deixou de se fazer, quando era preciso que se fizesse, resultou de forças exteriores que forçaram a que o caminho percorrido não fosse o que era desejado.

E, aqui, faltou-lhe em coerência o que lhe sobrou de coragem! Porque, quando percebeu que não tinha condições para governar de acordo com o seu programa, os seus objetivos, a sua ideologia, as suas promessas, deveria ter, muito simplesmente, apresentado a demissão do cargo.

Não o fez, e o resultado aí está! Bem à vista de todos! Não tenho a certeza de que, se o tivesse feito, o resultado fosse muito diferente! Mas, pelo menos, os salvadores da pátria, que não salvam nada, teriam que ter mostrado, há muito mais tempo, o que, na verdade são e do que são capazes.

Sabia-se, sabe-se, que a direita não convive bem com algumas das normas que caraterizam a nossa Constituição, nomeadamente o que respeita a setores público e privado, áreas de intervenção e responsabilidade do Estado, serviço nacional de saúde, trabalho e segurança social, educação. A direita costuma dizer "menos Estado, melhor Estado", quando o pensamento oposto "mais Estado, melhor Estado" parece retirar aos privados a capacidade de manobra que os leva a dominar a sociedade, através dos vários poderes de que se servem e à frente dos quais aparece o inevitável capital.

O atual governo é mais uma prova do que a direita representa.

Alteram-se as leis do trabalho. Porquê? Porque a troika mandou? Também. Mas era isso que a direita queria e não tinha coragem para o fazer, nem o disse na campanha eleitoral.

Privatiza-se tudo o que se pode, bem ou mal. Porquê? Porque a troika mandou? Também. Mas era isso que a direita queria e não disse que ia fazer.

Aumentam-se os impostos. Porquê? Porque a troika mandou? Também. Mas era essa a solução que a direita tinha para resolver problemas, mas não disse que ia fazer.

Cortam-se os apoios sociais. Porquê? Porque a troika mandou? Também. Mas era essa a intenção da direita; só que não o disse, porque se o dissesse não tinha ganho as eleições.

A estratégia que vinha sendo lançada, há algum tempo, aí está, a dar os seus frutos. O tal apoio estratégico, pensado, estudado.

Sócrates e o seu governo caíram de maduros! Para que não ficassem dúvidas, aos olhos de todos, cá dentro e lá fora. E nem sequer conseguiu fugir à humilhação de ter de recorrer ao FMI e companhia.

Cavaco Silva, Passos Coelho e Paulo Portas são as figuras do momento. A nossa troica interna (com C, para se distinguir da outra, com K). As televisões, revistas e jornais, rádios e comentadores não se cansam de os repetir, elogiar, entrevistar, mostrar e acompanhar.

E o que é que já melhorou, desde que esta troica nos governa?

Nada! A começar pelos juros da dívida que não param de aumentar; deve ser por excesso de credibilidade do 1º ministro, porque, antes, aumentavam por falta de credibilidade do anterior!

Antes pelo contrário! Até o subsídio de natal "já foi" em 50%. Porquê? Porque a troika mandou? Não, foi porque a troica quis. Por causa do "desvio colossal" (?) e porque esta troica é muito previdente.

E só alguém sobredotado consegue descobrir que um imposto, cobrado na hora e na fonte, sobe a receita, de imediato, já que não se é capaz de descer a despesa!

Por que é que nunca ninguém se tinha lembrado disto!? Realmente...

 

O.C.

 

 



publicado por ouremreal às 17:06
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Sábado, 9 de Julho de 2011
A selva

O capitalismo está em guerra. Uma guerra fratricida. E, como todas as guerras, com muitos efeitos colaterais.

O capitalismo é assim como as doenças. E, como não há doenças boas e doenças más, porque basta que o sejam para serem más, também não há capitalismo bom e capitalismo mau; é todo mau.

Embora haja o que não tenha gravidade de maior; tal como aquelas.

O que está a acontecer, a nível internacional, e com alguns países europeus, em particular, com destaque para Portugal e Grécia, assemelha-se a uma luta entre dois blocos, feitos da mesma massa, e com os ideais capitalistas a circularem-lhe nas veias, que têm como objetivo comum o domínio sobre o outro. E usam a mesma bandeira – o cifrão. Neste caso só se distinguem pelo símbolo que ostentam: dólar de um lado, euro do outro.

Trata-se de medir forças, esgrimir os argumentos mais eficazes e implementar a tática mais adequada ao fim em vista. Não importa quem é apanhado na onda. Não contam as consequências.

E o que se percebe, se é que se percebe alguma coisa, é que o bloco do dólar está com mais força que o do euro. E o grupo mais forte está a comportar-se para com o mais fraco exatamente como uma matilha de lobos famintos se comporta para com uma manada de búfalos que, distraidamente, pastam na tranquilidade (?) da mesma selva; como se costuma ver nos documentários da National Geographic.

Ora, sendo o búfalo um animal mais forte que o lobo, é certo e sabido que um lobo só não se vai meter a atacar um búfalo qualquer. Então, a matilha estuda a manada, identifica os mais vulneráveis, ou porque estão mais distraídos, ou porque estão mais enfraquecidos, ou porque evidenciam comportamentos que levam a crer que as suas capacidades de defesa estarão diminuídas.

Depois é só desferir o ataque, usando a tática mais adequada a cada circunstância. O normal é fazer uns jogos de diversão para convencer a vítima que o objetivo não é o que é; depois tentar isolar a vítima do grupo; e persegui-la enquanto for preciso; e se o grupo está distraído, quando se apercebe já o pobre búfalo está nas garras e nos dentes do lobo.

E quando se chega a este ponto, das duas uma: ou o grupo se organiza e atua, rapidamente, em defesa dos seus, e talvez o consiga salvar; ou não faz isso e o caso está perdido; mesmo que o consiga salvar, já não consegue evitar os danos da vítima e o sofrimento associado, nem consegue evitar os danos do grupo que, além do esforço que teve de fazer e dos custos que isso lhe acarretou, ainda fica mais vulnerável, enquanto organização, porque a matilha sabe que, com ataques sucessivos, a capacidade de resistência do adversário vai diminuindo.

É o que se passa, por analogia, claro, nesta selva capitalista em que vivemos, com o capitalismo do euro de um lado e o capitalismo do dólar de outro.

E, tanto quanto se enxerga, a matilha do dólar está a levar a melhor porque os búfalos do euro andam distraídos e, egoisticamente, cada um a cuidar mais da sua pastagem do que da segurança e manutenção da pastagem coletiva.

Se ser capitalista já não é bom, ser capitalista e estúpido ainda é muito pior!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 18:57
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
O lixo

Durante a campanha eleitoral para as últimas legislativas a sr.ª dr.ª Manuela Ferreira Leite, voz autorizada do PSD, disse, alto e bom som, que uma das principais razões para a necessidade de mudar de governo, e de primeiro-ministro, era o facto dos mercados financeiros não só não acreditarem na eficácia das medidas previstas no Pec IV, mas, sobretudo, por não confiarem no então primeiro-ministro.

Na mesma campanha, o sr. dr. Passos Coelho dizia que esse mesmo primeiro-ministro não era suficientemente ousado, não tinha imaginação, não era inovador, nem credível para convencer os tais mercados e as agências de rating, de modo a deixarem de pressionar e aproveitar as nossas fraquezas económicas e financeiras para continuarem o movimento especulativo que, progressivamente, nos estava a levar para uma insuportável asfixia.

E outras vozes, muitos sr.s dr.s, todos sabedores e autorizados na matéria, diziam, mais ou menos a mesma coisa, ao ponto de se ter chegado ao ponto em que estamos: novo governo, novo primeiro-ministro, maioria absoluta na Assembleia da República, uma estabilidade política que há muito não se via, novo programa de governo, com medidas mais gravosas que nem a Troika ousou impor, com sinais de preocupação de poupança capazes de sensibilizar este mundo e o outro e com o sr. Presidente da República a ficar quase afónico de tanto apelar para que confiemos no programa do governo, para que sejamos compreensivos e colaborantes.

E qual foi o resultado?

Passámos a lixo!

É caso para perguntarmos a estes sr.s dr.s todos:

Afinal, onde está a tal credibilidade?

Ou será que o problema era/é outro?

 

O.C.



publicado por ouremreal às 15:57
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