Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Estratégias

A estratégia continua.

Do nacional ao local, de cima a baixo.

Com todo o esplendor que brota de mentes superiormente dotadas (ou desbotadas?) e que, por isso, são capazes de deitar mão a tudo, ou a qualquer coisa, para abafar o medo de perder a causa, ou o "tacho", (qualquer que seja a dimensão, a forma, o conteúdo que quisermos dar a este "tacho" - seja no sentido mais figurado, menos figurado, ou nem uma coisa nem outra).

Inventa-se o que for preciso.

Afirma-se o que for circunstancialmente conveniente.

Diz-se e desdiz-se com tanto à vontade que acreditar começa a ser um exercício de alto risco.

Desde mentiras, meias verdades e histórias mal contadas, tudo pode acontecer.

Depois das peripécias com que fomos brindados na última campanha eleitoral, das inventonas às intentonas e outros delírios, a tal estratégia está a contaminar, há já algum tempo, a campanha autárquica, em jeito de versão local de um comportamento vergonhoso que está a mostrar um dos "perigos" da democracia, ou seja, se a democracia admite que, no seu seio, vivam, impunemente, os que a não respeitam, correrá o risco de se auto-destruir.

Isto, claro está, se partirmos do princípio que em democracia não vale tudo e que não há liberdade sem responsabilidade.

Com um mínimo de atenção ao que se vai  vendo, ouvindo e lendo, é bem evidente que há gente altamente desesperada, capaz de recorrer ao absurdo para atingir os seus objectivos.

Por exemplo:

O que pensar, o que dizer, de um funcionário de uma empresa municipal que se presta ao desempenho da "nobre" tarefa de atacar, difamar um concorrente autárquico, só porque está em perigo o lugar do seu protector e correlegionário político-partidário e, hipoteticamente, alguém poder vir a lembrar-se de querer saber para que serve essa empresa e o que fazem os que lá estão?

O que pensar, o que dizer, do aproveitamento que se faz da fé e religiosidade de alguém que, ao participar numa novena, das muitas que se vão realizando por aí, se vê confrontado e confortado(?) com a necessidade de rezar mais dois terços para que os "comunistas"(!?) não ganhem as eleições?

O que pensar, o que dizer, daquelas pessoas que, em dia de eleições, são atacadas de um sentimento de extrema caridade para com o próximo que tudo fazem para o levar até à assembleia de voto e não descansam enquanto não o "ajudarem" a pôr a cruzinha no sítio certo?

Parece-me muito pouco repetir o que Paulo Portas disse acerca do PSD : cuidado e caldos de galinha...

Talvez seja mais adequada a postura do cigano a quem queriam enganar : olho vivo e pé ligeiro...

Antes que nos comam por tolos...

 

O.C.

 



publicado por ouremreal às 22:26
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Já não estou suspenso !

UFF !!!

Que alívio !

Estive o dia todo suspenso ! 

Não por minha vontade, mas porque ouvi muito boa gente dizer que o País estava suspenso perante o anúncio de que o sr. Presidente da República ia falar ao País. Ora, se o País estava suspenso, eu não podia deixar de estar, porque não saí do rectângulo nas últimas 24 horas.

Confesso que não gosto de estar suspenso, principalmente quando isso resulta da vontade dos outros. Só porque lhes apetece!

Para além de ser fisicamente desconfortável, irrita !

Acabado o discurso, deixei de estar suspenso e passei a estar preocupado! E desconfiado!

Esperava que o sr Presidente dissesse, claramente, o que terá/teria para dizer e não se limitasse a lançar mais confusão.

Esperava que esta declaração fosse aproveitada para mais conversa fiada de comentadores, líderes partidários, jornais, televisões e tudo o mais para quem estas nebulosas são ouro sobre azul.

E  assim está a acontecer !

Também me preocupa a forma escolhida pelo sr Presidente para tratar deste assunto, principalmente porque não consigo compreender como que é que isto era inoportuno durante a campanha das legislativas e já não o é na campanha para as autárquicas.

E também me preocupa que a opinião pessoal do sr Presidente não seja claramente sustentada ! 

E fico sem saber se alguém escutou alguém !

Por tudo isto ...

Fico desconfiado !

Desconfio que as coisas não eram para ser o que acabaram por ser e se os objectivos não seriam outros e só não o foram, porque algo correu mal.

Desconfio, cada vez mais, de quem não era suposto desconfiar.

Desconfio que a declaração do sr Presidente fosse a mesma se os resultados da eleição de domingo tivessem sido outros.

E não consigo entender que o sr Presidente possa convidar o secretário geral do PS para formar o próximo governo.

Ou, então, isto está tudo a ser visto ao contrário !

 

O.C.



publicado por ouremreal às 20:41
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Um dia depois ...

Olhando para os resultados das legislativas fica-se com a sensação que todo o investimento que foi feito para pouco ou nada serviu.

Olhando apenas para o universo das formações partidárias com assento na Assembleia da República constata-se que:

- Houve cinco vencedores, a saber:

O PS por ter sido o partido mais votado e, portanto, ter ganho as eleições;

O PSD por ter conseguido mais votos e mais 3 deputados do que na legislatura anterior;

O CDS porque teve mais votos e aumentou o número de deputados de 12 para 21;

O BE porque também teve maior número de votos e duplicou os deputados de 8 para 16;

A CDU que também aumentou o número de votos e ganhou mais um deputado, passando de 14 para 15.

Os quatro últimos também reivindicaram vitória, e isso foi bem realçado por todos, parecendo que se tratou, afinal, da vitória maior - terem retirado a maioria absoluta ao PS.

- Houve, simultaneamente, cinco perdedores, a saber:

O PS, que, sendo o vencedor, foi o maior perdedor - perdeu meio milhão de votos e 25 deputados, em relação às anteriores eleições;

O PSD, como alternativa de poder, perdeu as eleições e perdeu, claramente, na estratégia que adoptou;

O CDS, o BE e a CDU perderam, muito simplesmente, porque nenhum deles conseguiu ser a força mais votada, apesar de tanto Paulo Portas como Francisco Louçã  terem afirmado, mais do que uma vez, que estariam prontos para governar.

Constata-se, ainda, que:

José Sócrates conseguiu sobreviver a quatro anos de desgaste constante, não só pelos efeitos da governação, como também por efeito de um sem número de peripécias e tramas que lhe foram, sucessivamente, embaraçando a acção;

Manuela Ferreira Leite não pareceu "interessada" em vencer as eleições. Sem propostas claras e mobilizadoras, explorando  factos, ou pseudo-factos, esperando que isso fosse suficiente para conquistar votos, revelou-se, como era esperado, um desastre.

Paulo Portas conseguiu ser suficientemente demagogo para mobilizar grande número de eleitores de direita e refinou o seu jeito para a gabarolice, parecendo-se, cada vez mais, com o francês Le Pen;

Francisco Louçã parece disponível para substituir a arrogância de Sócrates por uma outra atitude, mais evoluída e progressista, própria da sua alta intelectualidade, que dá pelo nome de fanfarronice;

Jerónimo de Sousa manteve-se igual a si própio, repetiu o discurso de sempre, subiu a votação, conquistou mais um deputado, desceu para quinta força, mas a CDU avança.

Com a nova composição da Assembleia da República, o cenário parece ter passado de cinzento a negro e a governabilidade do país parece estar cada vez mais difícil. O PS, sozinho, com os seus 93 deputados, não consegue governar. Para os 116, só com entendimentos com o PSD ou com o CDS, o que constitui uma maioria que não reflecte a vontade que os Portugueses expressaram na votação de domingo e, dificilmente, se enquadrará no programa e na acção do partido mais votado.

A avaliar pela postura dos líderes partidários parece que cada um está mais interessado em continuar a explorar o descontentamento e a combater o outro do que a cuidar de resolver os graves problemas do País.

Se assim for, a governabilidade exigirá a intervenção do Presidente da República para que se acabe com a feira de vaidades que vai desfilando por aí.

Talvez se comece a perceber a aparente "falta de vontade" da dr.ª Ferreira Leite em lutar pela vitória nas eleições de domingo passado...

 

 

O.C.



publicado por ouremreal às 21:32
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Não há!!!??? Inventa-se !

O ambiente político que nos rodeia, local e nacionalmente falando, está, irremediavelmente, afectado por assuntos irrelevantes.

Pelo que, o espaço que sobra para o que deveria ser uma campanha eleitoral séria, participada, esclarecedora, de discussão do que são as propostas de cada um para a governação que se avizinha é, necessariamente, escasso; demasiado escasso!

O boato domina e passa a ter honras de verdadeiro, desde que atinja o alvo certo.

Há jornais que dão eco a esta trama e entram no jogo.

O comentário ao boato faz as delícias de alguns políticos que, desse modo, disfarçam o vazio que lhes vai na alma (e no resto). 

E depois há sempre um fiel servidor disponível para inventar um facto, que, porque  não se consegue provar, será tratado como boato e entrará no "circuito" do comentas tu, opino eu, diz que disse, mas não disse, sempre apontado ao mesmo alvo, tipo "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura", ou seja, até que a opinião pública o encaixe como verdade, ou meia verdade, ou se consiga confundir os espíritos mais distraídos e se lhes crie a dúvida sobre o que, afinal, é verdadeiro ou falso.

Se há factos reais, seleccionam-se os que podem atingir o opositor e provocar o seu prejuizo; e, se for preciso, "retocam-se", "distorcem-se", de modo a parecerem menos o que são e mais o que se quer que pareçam.

E se esses factos reais não existem, ou não são os que interessam, a solução é simples:

 

Inventam-se !!!

 

E tudo isto acontece em plena asfixia democrática - AD ( não confundir com a outra AD, de triste memória )!

 

Vá lá saber-se porquê !

 

 

O.C.



publicado por ouremreal às 00:33
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Independência (!!??)

Há quanto tempo, sr.ª dr.ª !

Já lá vão mais de trinta! E bem mais!

Se não me engano, ( a memória já não é bem o que era...) a última vez que se falou em independência, à moda antiga, terá sido em finais de 73, princípios de 74, quando houve aquela grande manifestação de apoio ao prof. Marcelo, ( grande jornada !!!, nada inferior ao que se fazia ao dr. Salazar!!!).

Quando estávamos orgulhosamente sós !!!

Nunca percebi bem se estávamos orgulhosamente sós, ou se estávamos tristemente sozinhos! Mas isso agora também já não interessa nada!

A partir daí, não voltei a ouvir falar disso, da mesma maneira!

À parte aquelas experiências governativas da década de 80...( não falemos de coisas tristes ), não faço ideia nenhuma por onde a sr.ª dr.ª tem andado, mas acredito que por bons caminhos, pois vejo que está com muito bom aspecto, sempre em forma, e com o mesmo discurso de sempre, a mostrar que continua fiel e convictamente, e patrioticamente, a defender a nossa independência, nomeadamente, quando a ameaça vem dos nossos vizinhos aqui do lado.

Do lado direito, claro, para quem está virado de frente para o mapa de Portugal.

Da esquerda não vem perigo. É só água. ( O Jardim é só fumaça...! )

 Deve ter andado muito ocupada e preocupada com a sua vida, digo eu, que não se deve ter apercebido que desde aquela grandiosa manifestação ao prof. Marcelo, já aconteceram tantas e tão variadas coisas, que até parece que mudámos de país.

Logo em 1974 houve aquela grande chatice, no dia 25 de Abril, que foi uma dor de cabeça para muita gente que teve, assim de repente, de fingir que era democrata. Não foi fácil!

Depois seguiram-se aquelas peripécias todas com a independência das colónias, mais a reforma agrária e as nacionalizações e muitas confusões.

Como se isto não bastasse, em 1985, o dr. Soares não descansou enquanto não nos enfiou na CEE.

Depois foi a governação do Dr. Cavaco... (acho melhor passar adiante.)

E agora até pertencemos à UE, com uma Comissão, cujo Presidente já foi do MRPP (quem diria!) e um Parlamento, com deputados e tudo, a debitar leis que é um " vê se te avias".

Já não temos escudos, nem tostões, e os euros também não são fartura nenhuma.

Recebemos subsídios para arrancar a vinha, as oliveiras e os pessegueiros e para não semear trigo, nem milho. E para abater barcos e começar a apanhar menos peixe.

E também recebemos milhões para construir estradas e pontes e muitas outras coisas.

E fazer formação profissional!

Até há quem diga que se compraram grandes jipes e brutas vivendas...!!!

Parece que devemos dinheiro às carradas!

E os outros é que nos dizem o que podemos e não podemos produzir!

E o que temos de pagar!

E continuamos a ser dos mais atrasados da UE e a precisar de fundos comunitários como de pão para a boca!

Quer dizer: a nossa independência...já era...!!! A económica, claro! Quanto à(s) outra(s)... logo se vê!

É por isso que eu fico pasmado, e preocupado, quando a ouço, empolgada e patrioticamente, como se estivéssemos, ainda, no orgulhosamente sós, a dizer que se baterá, até não sei onde, pela  independência económica de Portugal.

Em 1385, a D.Brites parece que matou sete, mas... eram outros tempos! E já os deve ter apanhado mais para lá do que para cá...

Como dizia um amigo meu:

Acho que alguém deve ter dormido mal! Só pode! E eu não me lembro de ter acordado de noite!

Já agora e a propósito: Como é que vai fazer isso da independência?

E quando?

É que eu prevejo que isso vai dar uma grande confusão! Mais uma!

Se puder avisar um tempinho antes... agradeço.

Ando a ficar sem jeito para confusões! E a precisar de férias! Longe!

 

O.C.

 

 

 

 

 



publicado por ouremreal às 17:09
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
O debate.

Vêm aí os espanhóis?

A Dr.ª Ferreira Leite não gosta de espanhóis por qualquer coisa relativa a pressões, manifestações ou afins, lá para os lados da fronteira. Não percebi!

E não quere fazer o TGV, certamente, para que os espanhóis não cheguem depressa a Lisboa.

Fiquei à espera que ela anunciasse a "reconquista" de Olivença, mas enganei-me! E, ainda bem, porque, assim, podemos continuar a ir a Badajoz comprar caramelos.

Quanto ao debate, propriamente dito:

Um desastre completo!

Se não forem os boatos lançados sobre José Sócrates, mais os ataques cerrados por parte de tudo quanto é político, aprendiz de político, candidato a político, comentador, apresentador e outras ocupações, cujo "emprego" é criticar, melhor dizendo, dizer mal, porque criticar é outra coisa, nem os erros de governação lhe tirarão o lugar de Primeiro Ministro, tal é a incapacidade demonstrada pela sua mais forte concorrente ao cargo.

A Dr.ª Ferreira Leite não tem programa, porque não sabe se pode, se não pode, se sim, se não, se talvez...

Compromissos? Nem vê-los, porque, assim, ao menos, ninguém a vai acusar de fazer o que dizia que não fazia, nem o contrário.

Também há quem chame a isto política de verdade!

Não vai privatizar a segurança social, embora possa privatizar alguma coisa, (ou quase tudo).

Não vai privatizar a saúde, embora possa privatizar alguma coisa, (ou quase tudo).

Não vai privatizar a educação, embora possa privatizar alguma coisa, (ou quase tudo).

E, assim, por diante!

A intenção de baixar os impostos (logo que possa) é brilhante! Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disso!?

A avaliação dos professores é o exemplo acabado da postura da líder do PSD, e candidata a Primeira Ministra, perante a generalidade dos problemas do País:

A solução apresentada pelo Governo é autoritária, é contra os professores, nós queremos a avaliação, e vamos negociar um novo modelo. Qual modelo? Não disse, claro! Como não disse nada de nada!

Se lhe derem votos que chegue, logo saberá impô-lo!

SCUTs? Já nem vale a pena pôr portagens! E se as privatizasse? Digo eu!

TGV ? Nem pensar... era bom quando o negociou com os espanhóis, mas, agora, nem pode ouvir falar nisso! Portugal nem é uma província de Espanha...!!!

Definitivamente!

Se tivesse que escolher entre José Sócrates e Ferreira Leite, não hesitaria:

Confio mais nos "erros" do primeiro do que nas "incertezas" da segunda!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 00:06
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
O debate da asfixia! Ou a asfixia do debate?

O debate Paulo Portas - Manuela Ferreira Leite foi, como se esperava, ensosso. O que não significa desinteressante. Não pelo conteúdo, nem por questões de ideologias, já que mostraram bem ser farinha do mesmo saco, com mais ou menos farelo à mistura, neste ou naquele ponto. Mas, essencialmente, na forma e na força que cada um pôs no estilo com que tentou mostrar-se.

De facto, o único aspecto que achei interessante naquela conversada toda, foi a diferença de estilo dos dois candidatos.

Paulo Portas, tipo "fala barato", conversa fácil, são muitas feiras e mercados no currículo, tem muitas certezas e soluções para tudo quanto é problema - sabe quantos polícias são precisos para acabar com a criminalidade, sabe quem recebe e não devia receber subsídio de apoio, sabe quanto se poupava se se cortassem não sei quantos subsídios e para quantos aumentos de pensões isso chegava, acabava com as SCUTs para arranjar receitas, enfim, um indivíduo cheio de certezas, suficientemente arrogante para tentar disfarçar a diferença abissal que, em termos de implantação e consequente peso eleitoral separam o seu CDS do PSD. Apreciável o esforço que fez para se bater de igual para igual com a sua opositora e para disfarçar o indisfarçável - o CDS não representa mais do que uma pequena franja social, um prolongamento natural do PSD, e sem ele, Paulo Portas nunca será confrontado com a hipótese de ter alguma responsabilidade governativa. E ele sabe disso. Daí o facto de ter tantas certezas, em contraste com as ambiguidades da sua opositora, ou concorrente, como ele diz, porque o inimigo a abater é o PS e José Sócrates.

Manuela Ferreira Leite pareceu melhorada. No visual, na postura, reagiu quando Paulo Portas se empertigou e lá foi dizendo, ao jeito de quem puxa pelos galões, que se aquele debate estava a acontecer foi porque ela assim quis que fosse (?). Está longe de ter as certezas do seu opositor, está cheia de dúvidas, desconhece muitas coisas, não promete nada que não tenha a certeza de poder cumprir; daí que, quantas mais incertezas tiver menos compromissos assume, o que é, por um lado, bastante cómodo, e, por outro, tenta mostrar seriedade, para contrapôr aos que, como José Sócrates, prometem uma coisa e fazem outra, segundo ela diz.

Promete não aumentar impostos, não cortar subsídios, não privatizar a segurança social e vai aumentar as receitas de uma forma que eu não percebi bem como ( aqui a culpa será minha, porque sou um zero em economia ); não falou nas SCUTs, porque isso não dá votos, digo eu, e foi engraçada, diria mesmo cómica, para não dizer anedótica, a maneira como tratou um dos males que a aflige, de momento, à semelhança do que acontece com grande parte dos "democratas" do universo lusitano - a asfixia democrática.

Paulo Portas e Ferreira Leite, tanto quanto percebi, sofrem de tipos diferentes de asfixia - devem ser estirpes diferentes do mesmo vírus. Para o primeiro a asfixia é do tipo S (de Socrates) e J (de Jardim), afecta não só o Continente como a Madeira e creio que também já há indícios nos Açores; parece que ainda não há nada nas Berlengas, porque as fezes das gaivotas dão cabo do vírus da asfixia.

Para a segunda, não há qualquer dúvida - aqui sim, a certeza é mais do que absoluta - a asfixia é do tipo S, exclusivamente, e manifesta-se de forma aguda;

No Continente, claro!

Nas Berlengas está tudo limpo - ainda bem que há tanta gaivota!

Na Madeira a pureza é absoluta, diria imaculada - ainda bem que há Jardim!

O algodão não engana!

E perante tanta certeza, a Dr-ªa Manuela tem solução. Obviamente!

O PSD ganha as eleições e Portugal inteiro, do Minho até ao Corvo, vai adoptar a pureza democrática do madeirense Alberto João e adeus asfixia.

As gaivotas das Berlengas que se cuidem! 

 

O.C.

 

 



publicado por ouremreal às 15:50
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Domingo, 6 de Setembro de 2009
A lupa de Jerónimo de Sousa

Quem viu e ouviu Jerónimo de Sousa no frente a frente televisivo com José Sócrates e o viu e ouviu, no dia seguinte, ou seja, hoje, na festa do Avante, dirá que não se trata da mesma pessoa.

Ontém, fartou-se de dizer generalidades, mediu, milimetricamente, cada palavra, foi suficientemente prudente para que o seu opositor não lhe caísse em cima. 

É evidente que disse verdades, como é evidente que se limitou a enunciar o que lhe convinha e a omitir o que não lhe interessava evidenciar.  

Foi o exemplo acabado do político que sabe o que faz falta, mas não diz como se faz; por duas razões: Primeiro, porque não corre o risco de ser confrontado com a obrigação de ter de o fazer; segundo, porque não teria capacidade, nem condições, para o fazer, e acabaria por fazer o mesmo, senão pior, do que aquele que está a criticar.

Hoje, no comício do Avante, para animar a malta, retomou a conversa fiada, porque, de facto, é preciso animar a malta, já que o Louçã é uma ameaça.

Passou das generalidades/banalidades e caiu nas barbaridades; foi então que deu conta de um problema grave que o atrapalha, não sei se só a ele, se ao resto do partido;

disse Jerónimo de Sousa lá do alto do palco onde discursava, por sinal um palco bem avantajado: " nem que andássemos por aí com uma lupa do tamanho deste palco conseguíamos ver as diferenças entre o PS e o PSD ".

Que diabo!

É claro que, apesar de tudo, mesmo tendo em conta os maus tratos com que José Sócrates tem fustigado o seu "socialismo", a sua conduta governativa tem sido bem distinta das governações da direita que Jerónimo de Sousa tem o cuidado de poupar nos seus ataques.

Daí, que tenhamos de chegar à conclusão que o secretário geral do PCP não só sofre de uma capacidade de análise que muda em função do local e das circunstâncias em que se encontra, ( não sei como é que isto se chama), como está a contas com um grave problema de visão;

miopia? cataratas? sei lá!

Pode não ser grave... mas o melhor é tratar-se!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 23:18
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Sábado, 5 de Setembro de 2009
O País que (não) temos

Às vezes tenho a sensação de que não vivo num país a sério, com pessoas reais, com leis, com regras, com valores; um país que vive em democracia, com liberdade.

De facto, pensando bem, este país, não é um, mas vários.

      O país real. Esse é o que, de facto, existe - periférico, em relação à Europa; atrasado, em relação à Europa; com uma mistura de gentes a perder de vista e que não têm culpa (toda) de ser como são; um país que não produz; um país que se habituou a viver acima do que pode; um país de grandes desigualdades, de muitas carências e de tanto desperdício que até faz dó.

Um país onde a grande maioria é esforçada, honrada, honesta, trabalha no que pode e como sabe, mas que é obrigada a conviver com todos os que têm os meios e o poder de a controlar; seja pelo poder do dinheiro, seja pelo estatuto social, seja pela oferta / negação de emprego, seja pelo poder, propriamente dito, que resulta do facto de haver quem possa decidir e intervir na vida dos outros, por ser detentor de cargos que permitem que assim seja.

E, ainda, tem de conviver e sustentar, uma outra camada social, os parasitas, que não tendo apetência para se eforçar, resolve, pura e simplesmente, viver à custa dos outros.

      Depois temos o país do faz de conta - o que se vê na televisão, o que se ouve na rádio, o que se lê em revistas e jornais. Cada um diz e escreve o que lhe vem à cabeça, a coberto de uma tal liberdade de expressão, de informação, e de não sei mais o quê, onde se confunde boato com notícia, onde o desrespeito pelos outros é o pão nosso de cada dia, onde todos são detentores da verdade e onde não se obriga ninguém a provar as afirmações ou insinuações que faz, onde se deixa que a boataria prolifere, onde se gastam dias a comentar o comentário de um palhaço qualquer, onde não se punem as calúnias.

Neste espaço pantanoso proliferam os fazedores de boatos, senhores fulano de tal, cicrano e beltrano, aqueles que têm tempo de antena e primeiras páginas que alimentam alguma comunicação social sem escrúpulos e interesses vários.

Assim como os hipopótamos precisam de chafurdar na lama para se proteger do calor e dos insectos também há gente que não sobreviveria sem chafurdar na mediocridade de alguma comunicação social que lhe vai dando abrigo, procurando com isso, ela própria, a sua sobrevivência.

      E temos o país de cada um - o país que não temos - porque é o país com que sonhamos, que gostaríamos de ter - o país ideal - que não existe.

 

Resta-nos ter paciência para ir suportando tudo isto, ter alguma força e capacidade de intervenção para ir tentando dar outro rumo ao barco, na esperança de que, pelo menos, as coisas não piorem muito mais.

 

Até que a Primavera chegue! Algum dia!

 

 

O.C.

 

 



publicado por ouremreal às 11:32
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