O senhor Presidente da Câmara de Ourém terá dito (não ouvi), que irá fazer um ataque feroz à publicidade selvagem que está espalhada pelo concelho. Ao que parece o desagrado resulta, não só, do facto da dita publicidade ser feita em suporte de plástico, mas também por estar assim como que empoleirada nas árvores.
Ora bem! Analisando:
- Publicidade em plástico não é crime nenhum, porque, tanto quanto se sabe, ainda ninguém proibiu o funcionamento das fábricas que o produzem.
- Publicidade atada nas árvores poderá não ter grande estética, mas até pode ser o sítio mais adequado. É uma questão de visibilidade!
- Dá mau aspeto e não está à altura do evento que publicita? É bem possível que assim seja! E o evento? Valerá mais do que uma faixa de plástico atada a umas árvores? Talvez sim, talvez não!
Ou será que o problema é outro?
Que autoridades é que terão que ser acionadas para pôr cobro a este problema?
Eu compreendo que o sr. Presidente se sinta incomodado com estas manifestações de "terceiromundismo" no seu concelho!
E também compreendo que gostasse de ver estas e outras manifestações de bairrismo com um aspeto mais "civilizado"!
Compreende-se, perfeitamente!
Mas...
Já alguém se interrogou sobre quem pôs as faixas publicitárias? Já alguém pensou que, eventualmente, poderão ter sido as mesmas pessoas que tudo dão pela sua terra? Que podem não ter recursos para mais? Que ou é aquilo, ou nada?
Daí que me pareça que não se perderia nada se, antes de fazer (ou de dizer) o que quer que fosse sobre este assunto, se analisassem bem os quês e os porquês para que ninguém saia magoado da contenda.
A impetuosidade que ressalta da afirmação do "ataque feroz à publicidade selvagem", pode não ser muito mais do que um exagero! O que não invalida a preocupação e a necessidade de algo fazer. Sem recurso à repressão, de preferência e sempre que possível!
O.C.
Não tenho nada a ver com o CDS-PP! Conheço o sr. Ribeiro e Castro, de nome, há muito tempo. Tanto quanto sou capaz de avaliar estamos longe de ter grandes coincidências nos nossos ideais, mas, pelo que acabo de ler, estamos de acordo no que diz respeito aos feriados.
Não sei o que leva Ribeiro e Castro a pedir ao sr Presidente da República para que vete a lei que elimina os quatro feriados e que será aprovada, ao que se presume, na próxima semana, pela maioria da Assembleia da República. Dois feriados religiosos, Corpo de Deus e Todos os Santos, e dois civis, 5 de Outubro e 1 de Dezembro.
Pela parte que me toca, primeiro, por razões de ordem religiosa, é-me absolutamente indiferente que a Igreja tenha "vendido" estes ou outros dos seus feriados; segundo, por razões de ordem político-patriótica, considero uma lástima que o governo do meu País tenho tido o atrevimento de "vender" o "dia da implantação da República" e o dia da "restauração da independência". Mesmo que o primeiro não me entusiasme tanto como o segundo, acho que nenhum deles é "negociável".
Tudo isto porque a imbecilidade se apoderou de alguém!
Tudo isto porque a hipocrisia acha que com menos quatro feriados e os correspondentes (hipotéticos) dias de descanso, Portugal vai aumentar as exportações, vai aumentar a produtividade interna para diminuir as importações, vai acabar com os 700 mil desempregados, vai acabar com a falência das famílias e das empresas, vai fazer dos nossos empresários as pessoas mais felizes do planeta, vai pagar a dívida e acabar com as troiquices todas, etc e tal!
Por favor, não gozem com o pessoal!
O.C.
Não entendo bem em que medida interessa ao município que o sistema educativo no concelho de Ourém se organize em três agrupamentos de escolas,
ou em quatro, ou em seis ou sete como já esteve.
Como também não entendo em que medida o município de Ourém poderá contrariar, agora, os planos do Ministério da Educação caso este opte por acabar com os quatro agrupamentos que têm existido e passe para três, tal como não conseguiu evitar que, num passado recente, os seis agrupamentos que existiam (sem contar com a Escola Secundária) passassem a quatro.
Como não conseguiu, nem consegue, evitar que sejam fechadas escolas onde nem sempre se compreende que fechem.
Daí que me interrogue sobre o sentido desta passagem do comunicado dos srs vereadores do PSD:
“ Urge perceber argumentos e atuar em defesa da educação do nosso concelho. Já que esta ponderação não se realizou quando deveria ter sido feita, faça-se deste momento de tensão uma ocasião para reestruturar de modo refletido o território educativo do nosso concelho.”
Sinceramente, não consigo perceber o alcance desta conversa, porque não sei que ponderação ficou por fazer, desconheço a quem cabe a responsabilidade dessa falha, não sei que reestruturação acham que deve ser feita, nem vislumbro como interferir nisso. Os srs vereadores também não esclarecem.
E, logo a seguir, dizem:
“ Sem partidarismos unamo-nos em torno deste objetivo”
Só posso aplaudir, mesmo com as dúvidas que atrás refiro, lamentando que nem sempre assim seja (ou tenha sido) e achar que essa de “sem partidarismos” não existe.
Tanto quanto julgo saber, esta invenção dos agrupamentos, que já leva uma dúzia de anos, teve como principal objetivo reduzir a estrutura administrativa da educação e, consequentemente, encolher orçamentos, apesar de toda a retórica fazer bandeira com as vantagens que daí advinham para alunos e encarregados de educação, principalmente.
O que se constata é que alunos e encarregados de educação não terão lucrado tanto assim, os docentes têm a vida cada vez mais infernizada e a administração terá encolhido, mas concentrou-se, o que não significa que tenha ganho eficácia.
Assim como também ainda ninguém demonstrou quanto se poupou, se é que poupou, com toda esta inovação, ou poupará, com a inovação que se segue.
Para terminar:
O comunicado dos srs vereadores parece dirigido para o alvo errado, porque a maneira como o Ministério da Educação organiza a parte administrativa dos seus estabelecimentos de ensino parece fugir, claramente, ao controlo do município. O que não significa que não conste das suas/nossas preocupações. Como tantas outras coisas!
O.C.
Não é possível ler os comunicados dos vereadores do PSD na Câmara Municipal de Ourém e ficar indiferente. Nem pelo que eles dizem, nem por aquilo que pretendem esconder.
Os dois últimos que li, com data de 2 do corrente mês de Maio, um sobre as condições do espaço/gabinete que lhes foi atribuído no edifício da Câmara
Municipal e outro sobre os agrupamentos escolares do concelho, são bem o exemplo daquilo que alguém disse, não recordo exatamente quem : “democracia é quando sou eu a mandar, ditadura é quando mandas tu”. Por outras palavras: os mesmos atos passam de virtudes a defeitos quando deixam de ser praticados por mim e passam a ser praticados pelos outros.
Sobre o primeiro tema, o espaço que lhes foi atribuído, dizem os srs vereadores do PSD, entre outras coisas, que:
“ Mais não é do que uma arrecadação”
“É uma atitude que consideramos ofensiva e indigna de quem a pratica”
“ Estamos aqui em representação de milhares de pessoas que nos elegeram e temos a mesma legitimidade que a maioria do atual executivo”
“ Antes das forças políticas existem as pessoas”.
Analisando isto pelo que é dito, não há dúvida que uma arrecadação, em princípio, não será o lugar mais digno para instalar o gabinete de trabalho dos vereadores da oposição; nem a decisão que a tal conduziu (?) poderá dignificar quem quer que seja. Desconheço se a dita “arrecadação” é mesmo isso, ou outra coisa; mas admitamos que é mesmo isso; e não teria qualquer dúvida em subscrever este ponto do comunicado, porque acho que as pessoas devem ser tratadas com dignidade, mesmo perdendo as eleições. Ontem, hoje ou amanhã!
O curioso e caricato é serem os vereadores do PSD, o partido que desde 1974 mais anos deteve a presidência do município, a ter este discurso!
Porque se analisarmos isto pelo que não é dito, mas por aquilo que se pretende esconder, ou fazer esquecer, e à luz do que se foi constatando ao longo destes anos todos, então, é caso para perguntar:
- Como eram as instalações que o vosso partido disponibilizou à oposição quando os srs estiveram em maioria?
- Desde quando é que acham que a legitimidade dos que perdem as eleições é a mesma dos que as ganham?
- E agora as pessoas estão primeiro e o partido depois? Desde quando é que acham isso?
É que a prática parece denunciar precisamente o contrário!
Toda a gente entende os objetivos de tudo isto:
- Pressionar o atual executivo municipal;
- Formatar uma imagem nova perante os eleitores;
- Branquear comportamentos passados;
- Assumir o papel de vítima na esperança de que isso reverta em seu favor.
Principalmente se os visados ficarem silenciosos e não esclarecerem o que corresponde ou não corresponde à verdade.
O.C.
O 25 de abril é já daqui a pouco!
Este não é o 25 de abril dos que o fizeram!
Este é o 25 de abril dos que nunca o quiseram!
Para celebrar o (meu) 25 de abril deixo três pedaços de poesia:
Da “trova do vento que passa”, de Manuel Alegre
Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
O vento nada me diz
Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções ao vento que passa
Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não
De “ Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade”, de Jorge de Sena
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha
Quase, quase cinquenta anos
Reinaram neste país,
E conta de tantos danos,
De tantos crimes e enganos,
Chegava até à raiz
Saem tanques para a rua,
Sai o povo logo atrás:
Estala enfim, altiva e nua,
Com força que não recua,
A verdade mais veraz
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha
De “Cântico negro”, de José Régio
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: vem por aqui!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
O.C.
Acabo de ler o documento que regula a circulação automóvel no interior da cidade de Fátima e que começa assim:
“Considerando:
A especificidade da Cidade de Fátima e em particular a necessidade de, em períodos de maior peregrinação, se poder vir a garantir quer à população residente o acesso às suas habitações, quer aos diferentes Operadores Económicos o seu necessário e contínuo funcionamento, apesar dos condicionalismos vários que, nessas circunstâncias, são geralmente impostos, sobretudo ao nível da circulação automóvel e no perímetro compreendido, na Cova da Iria, entre as Avenidas Beato Nuno e João XXIII “.
O normativo, intitulado “NORMAS GERAIS DE ATRIBUIÇÃO E UTILIZAÇÃO DO DÍSTICO DE AUTORIZAÇÃO CONDICIONADA DE CIRCULAÇÃO EM FÁTIMA NOS PERÍODOS DE MAIOR PEREGRINAÇÃO”, que poderá ser consultado no sítio da C.M.de Ourém, desenvolve-se ao longo de 14 artigos, divididos por 5 capítulos e tem como objetivo regular a autorização de circulação automóvel dentro do perímetro definido pelas avenidas Beato Nuno e João XXIII, entre as rotundas norte e sul, naquela cidade, em dias de maior movimento, afluência de peregrinos ou durante a realização de obras que impliquem condicionamentos do trânsito como, por exemplo, atualmente se verifica.
Três questões em jeito de comentário:
1 – Dois euros por cada dístico será um preço razoável, mesmo tendo em conta o destino da verba apurada?
Talvez sim para quem é morador e faz um uso intensivo, chamemos-lhe assim, da autorização. Talvez seja um exagero para quem vai fazer, por exemplo, uma vez, a entrega de determinada mercadoria, ou tratar de um assunto urgente e imprevisto.
2 – O local de aquisição do dístico é adequado?
Considerando que a aquisição é feita na sede da ACISO, na travessa 10 de Junho, em Ourém, parece que não dará muito jeito aos habitantes de Fátima terem de se deslocar a 12 Kms de distância para comprar um autocolante por 2 euros para poderem levar o automóvel para casa. Parece razoável que o assunto possa ser resolvido em Fátima. E não será difícil se houver vontade.
Então e os que não são de Fátima e tiverem mesmo de entrar na zona de restrição, por qualquer razão imprevista, ou necessária e urgente? Terão mesmo que descer ao vale, percorrer os tais 12 mais 12 kms para pagar os 2 euros para poderem ostentar o tal autocolante? Isto não parece razoável!
3 – A área de restrição não será exagerada?
Parece-nos, claramente, que sim!
Vejamos o seguinte: considerando que o recinto do santuário está, mais ou menos, no centro da área das restrições de trânsito, e que está orientado no sentido este-oeste, se medirmos a distância, em linha reta, entre a av. João XXIII e a av. Beato Nuno, a passar pelo santuário e naquela orientação, teremos, sensivelmente, 1250 metros; se medirmos, também em linha reta, a distância entre as rotundas norte e sul, teremos, aproximadamente, 1900 metros. Isto dá uma área enorme!
Mas mais importante, ainda, que a área é a funcionalidade de tudo isto, a implicação que tem na vida das pessoas que ali vivem ou que ali têm que se deslocar com as suas viaturas.
Como não acreditamos que a extensão da área tenha alguma coisa a ver com a verba a arrecadar com a venda dos autocolantes, parece-nos que não há necessidade deste exagero!
Balizar a zona de restrição a norte e sul com as duas respetivas rotundas, parece razoável dada a presente situação das obras em curso na av. D. José Alves Correia da Silva; A poente, com a João XXIII, com toda aquela zona dos parques de estacionamento, aceita-se; A nascente, em toda a extensão da Beato Nuno, é um exagero.
Com a conclusão das obras na av. Correia da Silva, tudo deverá ser revisto, porque não há razão para tamanha área!
Salvo melhor opinião, claro!
O.C.
Tem nome de restaurante, mas é mais uma meia tasca, ali junto à fronteira com os vizinhos espanhóis e deu muito jeito, porque eram horas de lanche e o almoço não tinha sido muito famoso. Mas o mais interessante era a televisão que estava sintonizada num canal espanhol e que, por isso mesmo, nos poupava ao triste e irritante espetáculo com que somos bombardeados, diariamente, com Relvas, Portas, Coelhos, Gaspares e similares a venderem o respetivo peixe e a tratar-nos como se fôssemos todos uma cambada de ignorantes e não percebêssemos muito bem o que eles querem.
Contudo, ali ao lado, do outro lado do rio, “nuestros ermanos”, também têm uns problemazitos…
O facto de o meu castelhano não ser grande coisa tem a vantagem de, por um lado, não perceber muito do que dizem e, por outro, como não sei os nomes dos “artistas” deles, fico sem saber se falam de ministros ou do Paquito ali da esquina. O que é ótimo, porque, seja uma coisa ou outra, não “chateia”.
Mas…quando se trata de Juan Carlos, já não é bem assim. Até eu sei que é o rei! E os espanhóis não se calam, porque o rei deles resolveu ir fazer uma caçada, em África, no Botswana. E… azar dos azares... deu cabo duma perna!
Tanto quanto percebi, o rei não devia ter ido, porque não se admite que, estando o país a atravessar a crise que se sabe, o rei tenha extravagâncias destas. Dizem uns.
Outros dizem que, afinal, não seria só o problema da caçada, mas que haveria mais qualquer coisa. Diz-se que Juan Carlos tem sido melhor rei do que marido… Não faço ideia! Nem estou minimamente preocupado com isso!
Depois, ir caçar elefantes para o Botswana não é propriamente como ir caçar coelhos ali para o Alentejo…
Para cúmulo, a assistência, a operação, a recuperação de sua alteza vai custar uma pipa de massa que os espanhóis, em crise, vão ter de suportar!
E dou comigo a pensar:
Ora, por que carga de água é que eu, que desde 1143, pelo menos, não sou grande simpatizante da causa, estou aqui a perder tempo com espanholices?
Primeiro, porque acho interessante que alguém se preocupe com o que o rei faz ou deixa de fazer. É o que faz não ter um rei e, em vez disso, ter um presidente da república que não é caçador, nem vai ao Botswana, nem consta que seja mau marido, nem partiu uma perna (felizmente para ele)! Nem ganha para as despesas! Nem nada!
E fico convencido que o problema (?) só existe porque o rei teve o azar de partir a perna; não fora isso e ninguém abria bico; hipocrisia! Lá como cá! Digo eu!
Segundo, porque é espantoso que alguém se preocupe com insignificâncias, enquanto que nós, por cá, temos que nos preocupar com as Troy(i)cas! E não é pouco!
Terceiro, porque acho de muito mau gosto que alguém se divirta a matar elefantes! (Ainda se fossem moscas… que detesto e não consigo perceber para que servem!). Logo, também participo no coro de críticas à caçada real. Mesmo não tendo nada a ver com isso!
Em quarto lugar: é um alívio estar a assistir a um programa de televisão em que os problemas são dos outros e é uma sensação estranha que os factos se resumam a uma caçada real. Coisa esquisita!
O.C.
Isto sim! É democracia!
No congresso do PSD, a decorrer este fim de semana, os congressistas aprovaram uma proposta da JSD no sentido da eleição dos órgãos nacionais do partido deixar de ser feita em congresso, como até agora, e passar a ser feita de forma direta pelos militantes.
Segundo a contagem da mesa do congresso os votos a favor ultrapassaram os 3/5 necessários pelo que estava aprovada. Contudo, o inesperado aconteceu: Passos Coelho sobe ao palco e avisa os congressistas sobre as consequências terríveis do que acabava de acontecer – a perda de poderes do congresso.
Para o líder do partido o perigo está no facto de serem os militantes, de forma democrática e livre, a eleger os órgãos partidários o que impediria a sua estratégia de conseguir ali, em congresso, fazer aprovar as suas propostas, com as listas já perfeitamente cozinhadas, combinadas e, certamente, com apoios garantidos.
E depois do inesperado, aconteceu o bizarro! Fernando Ruas, o presidente da câmara de Viseu, a presidir à mesa do congresso, manda repetir a tal votação e aconteceu o que era preciso que acontecesse: a proposta foi chumbada com 262 votos contra, 250 a favor e 33 abstenções.
Fez-se a vontade do líder e, assim, as listas que Passos Coelho levava no bolso, serão, certamente, alvo da maioria dos votos para tranquilidade de quem manda e desespero dos que se vêem ludibriados por estes malabaristas de ocasião.
É caso para dizer que, neste partido, a democracia é assim como a presunção e a água benta – cada um usa a que quer, quando e onde mais lhe convém.
O.C.
Mentir vai dar pena de prisão!
Foi o título dado a uma notícia posta a circular há dois dias atrás e que resultava da intenção da ministra da justiça em alterar o código do processo penal.
Ora, esta notícia, vista assim, não deixava de entusiasmar o mais comum dos mortais, principalmente aqueles que estão fartos de aldrabões e de ser vítimas de aldrabices e que viam na dita notícia um princípio de esperança para acabar com uma das chagas sociais da atualidade.
Afinal, a esperança quase nem chegou a sê-lo!
Ao que parece, e estas coisas só no final se poderão avaliar devidamente, tudo parece encaminhar-se para a penalização recair sobre quem prestar falsas declarações às finanças.
Está certo? Está errado?
Na minha modesta opinião estará certo! E digo “estará”, porque é preciso ver primeiro. É que há falsas declarações importantes e outras que poderão não ter importância nenhuma. E haverá muita gente “séria” a prestar declarações “sérias” que serão mais mentirosas do que a maior das mentiras.
Mas compreende-se que as mentiras a penalizar se fiquem por um campo restrito. É que, se assim não fosse, não haveria prisões para meter tanto aldrabão e, de facto, o momento não é propício a grandes investimentos em betão. A menos que se aproveitassem alguns estádios de futebol que estão às moscas e que serão um símbolo de algum do desperdício em que temos sido campeões, se remodelassem, se adaptassem a centros de detenção; e mesmo assim, duvido que chegassem!
E depois teríamos outros problemas:
A começar pelo prejuízo que seria sustentar tanto aldrabão, à boa vida.
Depois, a dificuldade que a justiça teria para tanto julgamento.
O tempo que todo este processo demoraria, porque há muito aldrabão com dinheiro e todos sabemos que quem tem capacidade financeira tem muito mais argumentos para enfrentar a justiça do que aquele que inventa um filho para fugir ao irs.
E o preço em que tudo isto iria ficar.
Portanto, os grandes mentirosos deste país, aqueles cujas mentiras nos afetam todos os dias, esses, podem continuar a dormir descansados. Ainda não será desta que serão incomodados.
O.C.
Os vereadores do psd na Câmara Municipal de Ourém não descuram a campanha em que estarão empenhados no sentido de reconquistarem a posição maioritária que perderam nas últimas eleições autárquicas. E uma das ações passa pelos frequentes comunicados que emitem sobre os mais variados assuntos da gestão municipal, nomeadamente aqueles em que divergem da maioria socialista que preside à governação do município.
Com demagogia ou sem ela; com mais ou menos coerência; esquecendo ou branqueando, por vezes, um passado recente em que dominaram toda a gestão municipal, não se evitam de atacar o adversário, em todas as situações que, por convicção ou interesse, se afastem daquilo que, em cada momento, lhes convém. E dizem-no! Publicitam-no!
E o que não for contestado pelos visados, devidamente esclarecido, ou negado, se for caso disso, passará a constar como verdade (ou quase)! Poderemos estar de acordo, ou não, com esta atitude! Poderemos concordar, ou não, com o conteúdo dos comunicados dos vereadores em questão! E também poderemos concordar, ou não, com os diversos artigos de opinião que percorrem a imprensa e a blogosfera locais e que caminham no mesmo sentido daqueles comunicados! Mas num ponto não poderemos deixar de estar de acordo, certamente:
- É assim que se vai construindo uma imagem, político partidária, perante a opinião pública concelhia para ser jogada no próximo ato eleitoral. Tomar a atitude contrária, ficar sossegado, escudado na convicção de que a verdade (!?) virá sempre ao de cima e que isso, só por si, será o bastante para garantir todas as vitórias, não é só uma pura ilusão, será também um verdadeiro suicídio.
Esta reflexão vem na sequência do que acabo de ler nos recentes comunicados daqueles vereadores sobre:
- Os milhões da educação e o notícias de Ourém;
- A pista da Giesteira e os voos low cost;
- Investimento municipal no ensino;
- Candidatos ao concurso aberto pela autarquia;
- Reorganização do mapa judiciário.
Mesmo sem estar por dentro dessa “coisa” a que se chama gestão municipal, e ser um mero espectador, pouco informado, dessa outra “coisa” a que se chama política partidária, não deixo de estar atento ao que se vai passando, (na medida do possível, claro!) e não consigo evitar a constante comparação entre o passado e o presente. Todos sabemos que a mesma água não corre duas vezes debaixo da mesma ponte…!!! Ou, se quisermos, o que se passou ontem, anteontem e antes de anteontem, não terá que se repetir amanhã, depois de amanhã, ou no dia a seguir! Ou, se quisermos, ainda, os ativistas de hoje e candidatos a protagonistas de amanhã não terão que ser iguais aos de ontem, mesmo que empunhem as mesmas bandeiras e comunguem dos mesmos ideais. Só que há um obstáculo que os vereadores do psd terão sempre que enfrentar: a gestão que o seu partido protagonizou durante quase três décadas na Câmara de Ourém não deixará de os acompanhar a cada momento da sua ação.
E para quem há muito deixou de ter ilusões, os temas destes comunicados são assim como música para ouvido duro, ou seja, por mais que o artista se esforce … não passa de ruído!
E o comentário que terá que ser feito só pode ser uma pergunta, ou várias:
- Quantos anos é que o psd andou “embrulhado” com o assunto “pista da Giesteira” e em que ponto o deixou? E porquê?
- O que é que há, em termos de educação e ensino, no concelho de Ourém que o psd contesta e porquê? Só porque são outros a dar continuidade ao que tinha de ser feito?
- E sobre concursos da autarquia? Não há transparência? Há irregularidades? Denunciem tudo! A oposição também tem que servir para isso!
- Então a reorganização do mapa judiciário prejudica o concelho de Ourém? E a reorganização do sistema de saúde não prejudica? E as outras reorganizações todas, como, por exemplo, a do poder local, não prejudicam?
Então por que é que o primeiro destinatário do comunicado não é o membro do Governo respetivo? Ou já não há vantagem nenhuma em ter um governo da cor? Mas já houve! Pelo menos dizia-se que havia!
Ou é mais aconselhável, ou conveniente, atirar o ónus da questão para cima do executivo municipal?
Compreende-se… mas não resolve! Por mais esforçado que o executivo seja!
O.C.