Quarta-feira, 12 de Julho de 2017
O diabo
O dr. Costa não parece ser muito dado a essas coisas de…diabos! Daí o não ter dado muita importância às previsões do dr. Coelho que, em jeito de ameaça, lhe foi dizendo que as políticas que o governo estava a implementar eram desastrosas e que, por via delas, vinha aí o diabo. Afinal, enganaram-se ambos! Um mais que o outro!
As políticas deste governo não conduziram ao desastre que o dr. Coelho prognosticava, antes pelo contrário. O diabo não veio pelas portas por onde ele desejaria que ele entrasse, casos da economia, finanças, défice, educação, saúde, emprego, segurança social, enfim, as chamadas portas principais e, perante tamanha frustração, logo se desencadeou uma ação conjunta e orquestrada com toda a direita a tentar abrir tudo o que é porta dos fundos, portas de emergência, ou mesmo janelas e postigos, por onde o tal diabo pudesse entrar, com a comunicação social amiga a fazer eco de tudo o que é preciso ser dito, porque a liberdade de expressão e o dever de informação a isso obrigam.
E para que o diabo venha, nada melhor que uma desgraça, ou duas; se forem três, ou mais, ainda melhor! E, infelizmente, elas aconteceram! A maior de todas, Pedrógão Grande! Não há palavras para a qualificar! Como se previa, a direita levantou bem alto as suas bandeiras e culpou, claro está, o governo pelos acontecimentos. A dr.ª Cristas já pediu, mais de cem vezes, a demissão da ministra da administração interna que, digo eu, devia ter estado no sítio certo, à hora certa, (e não esteve) com um balde de água para apagar a primeira chama. Parece que anda tudo surdo, porque a ministra ainda continua a sê-lo!
Depois foi a história, que parece muito mal contada, do assalto aos paióis de Tancos. Um buraco na rede da vedação que ainda não vi, porque as televisões mostram, vezes sem conta, uma vedação e imagens que não têm nada a ver com paióis. Câmaras de vigilância avariadas há 5 anos, segurança privada, falta de guardas, sentinelas, ou o que lhe queiram chamar, que ninguém perceberá. Armamento roubado (há quem diga outras coisas) que, põe em causa a segurança interna e a da Europa (pelo menos) segundo a direita; afinal, sabe-se agora, seria material que, na sua maioria, estava selecionado para abate. E havia material muito mais importante que não foi levado. Não se percebe muito bem isto! A dr.ª Cristas já está a ficar afónica de tanto pedir a demissão do ministro da defesa. Ela não o diz, mas eu calculo que o ministro se deixou dormir, quando estava a fazer o seu quarto de sentinela e…pronto! Foi o bastante para o assalto! Assim, tem que ser culpado! No meu tempo de militar levava, pelo menos, dez dias de detenção e ia para o olho da rua! Que era para aprender! Mas continua tudo surdo! O ministro ainda não saiu!
Como se tudo isto não bastasse…há secretários de estado que foram à bola, há um ano, e de borla, porque a Galp lhes pagou o bilhete. Deviam saber que há uns que podem andar à borla e que há outros que não podem! É o caso deles! O pior de tudo é que resolveram, agora, pedir a demissão dos cargos! Quando a direita estava bem calada, não pedia essas demissões, provavelmente, por causa da velha história dos telhados de vidro…! Ou, então, aguardava por melhor oportunidade! Talvez mais próximo das eleições autárquicas…! Pronto! Mais gritaria! Desde quando é que secretários de estado têm o atrevimento de pedir a demissão sem que a direita a tenha reivindicado? Também não se percebe muito bem o motivo que leva o Ministério Público a tratar deste assunto só agora …! Mas, pronto, talvez se venha a perceber…!
Para terminar:
O dr. Costa tem que se convencer que o diabo existe. E se não quer que ele entre tem que manter portas e janelas, as frestas todas, bem fechadas, de dia e de noite, 24 em 24 horas, porque o tal diabo tem carradas de amigos disponíveis e a esforçarem-se para o ajudar a entrar ao mais pequeno descuido! E se for preciso recorrer ao arrombamento…também dão um jeitinho! Convém escolher bem as sentinelas…! Não se fie só na vigilância eletrónica e nas novas tecnologias! Olhe que os apagões estão na moda! Nunca fiar…! Se 10 MM de euros marcharam, porque os computadores tiveram uma diarreia e perderam muito tempo na casa de banho, mais fácil é o diabo entrar por uma fresta qualquer!
O dr. Coelho e a dr.ª Cristas, há falta de melhor, escolheram o diabo como aliado. É uma estratégia como outra qualquer, mas reveladora de falta de capacidade imaginativa, competência política e de verdadeira vontade de contribuir para a resolução dos muitos problemas que o País tem. E não esqueçam que o diabo é interesseiro! Cobra caro pelos serviços prestados! Mais tarde ou mais cedo vão tê-lo à perna!

O.C.


publicado por ouremreal às 14:47
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Terça-feira, 20 de Junho de 2017
Os incêndios

Na sequência da tragédia que no último sábado se abateu sobre a região do centro interior do nosso País, concelhos de Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, tenho ouvido, visto e lido coisas, tantas coisas, algumas inimagináveis, que me levam a pensar que, das duas, uma: ou há pessoas tão mal formadas, ou mal informadas, ou mal intencionadas como nunca imaginei, ou, se assim não for, serei eu o mais ignorante de todos!

Não falo em técnicos disto e daquilo, em peritos desta ou daquela área, que sempre aparecem, porque esses terão alguma base de conhecimento para sustentar o que dizem. Se, nuns casos, as suas teorias podem estar desajustadas das realidades (que nem sempre conhecem suficientemente bem) e que, se fossem aplicadas, não produziriam os efeitos que julgariam obter, noutros, o seu saber, as suas opiniões, sejam favoráveis ou não ao que está em vigor, serão sempre de ter em conta.

Não vale a pena falar mais, em alguns órgãos da comunicação social que, ao que parece, aproveitam a desgraça alheia para fazer render o negócio. Por exemplo, é chocante, é duplamente chocante, ver uma repórter de um canal de televisão a fazer um direto junto aos restos de um automóvel completamente queimado, ou junto ao corpo carbonizado de uma senhora, ainda no chão. Isto é o quê? Sou levado a crer que se pretendeu criar um sentimento de choque, de indignação nos espectadores propiciador à criação de um clima onde caísse bem o repto que, de seguida, lançou à ministra da administração interna: quantas mortes é preciso haver mais para que se demita?

Falo, principalmente, dos que parece que sabem de tudo, mas que, ao fim e ao cabo, o que fazem é exprimir as suas ideologias, as suas convicções, nem sempre com um sentido crítico construtivo, mas, quase sempre, com a intenção de aproveitar as emoções do momento para atacar quem os incomoda. Fora ou dentro do contexto! Pouco importa! Dizer, por exemplo, que a culpa dos incêndios, das mortes, dos feridos, do património destruído é do governo, que a ministra da administração interna e o ministro da agricultura deviam ser demitidos, são opiniões que não consigo perceber em que se fundamentam. Como se fosse este governo, ou outro qualquer, o culpado pelas condições atmosféricas capazes de desencadear catástrofes desta natureza! Que se diga que o ordenamento do território nacional e obviamente, da nossa floresta é, mais ou menos caótico…não andará longe da realidade! Mas teremos, sempre, para sermos justos, que perguntar: Desde quando? Por culpa de quem? E como se resolve? E esta última pergunta será, em meu entender, a de resposta mais difícil! Porque aqui cabem aspetos tão complicados como o ordenamento, a prevenção e o combate aos incêndios!

Depois, como vai acontecendo de vez em quando, a velha questão de ser a Força Aérea a combater os incêndios como se esta solução estivesse isenta de custos e, assim, se evitassem gastos de milhões com a contratação de meios aéreos externos. Certamente que quem defende esta solução terá feito as contas, coisa que eu não sei fazer, embora admita que se possa economizar! Não sabendo isso, sei, ou julgo saber, duas coisas: 1 - A Força Aérea tem pessoal competente para desempenhar essa função; 2 – A Força Aérea não tem aeronaves adequadas nem orçamento para essa função. Façam-se as contas e decida-se o que for melhor! Mas acabe-se com o mito de que com a Força Aérea se acaba com os milhões gastos a combater incêndios!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 00:11
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Sexta-feira, 16 de Junho de 2017
Cristiano e o fisco espanhol

Leio na imprensa que Cristiano Ronaldo está a ser acusado pelo fisco espanhol de fraude fiscal no valor de cerca de 15 M€.
Não sei se é assim ou não, nem isso me interessa muito! É assunto que ele, certamente, resolverá! E, se tiver que pagar, pois, que pague!
O que me impressiona é a atitude do clube que ele representa – o Real Madrid – que terá contactado órgãos da imprensa espanhola no sentido de substituírem as fotos do atleta por outras em que ele não apareça com a camisola do clube:

"Mira a ver si podéis cambiar la foto de Cristiano, una en la que no apareza con la camiseta del Real Madrid"

Não terão chegado a dizê-lo, mas não me surpreenderia que tivessem pensado que ficaria muito melhor com a camisola da seleção portuguesa…!

…Nem bom vento, nem bom casamento, nem porcaria nenhuma! Cambada…!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 21:32
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Domingo, 23 de Abril de 2017
O aeroporto de Monte Real

Não li o artigo completo do dr. Santana Lopes sobre a localização do aeroporto complementar a Lisboa. Na parte que li, ele diz não entender o motivo por que a solução Monte Real não é considerada. Tem boa localização na zona centro e o investimento que seria preciso fazer seria relativamente baixo, comparando com a solução Montijo. Eu acho que o dr. Santana Lopes sabe por que é que a solução que defende não é considerada, mesmo tendo em conta que o que diz é verdade. Afinal, a procura de um aeroporto complementar ao de Lisboa é para resolver o quê? Os interesses do turismo da zona centro? Os interesses das pessoas que vivem na zona centro e dos turistas que nos visitam e que deixariam de percorrer os tais 150 kms para cá e para lá? Se alguém está convencido disso, eu não estou! Há muitos interesses, além daqueles, que, certamente, falarão mais alto. E, quando os governos resolvem vender a empresa que gere os aeroportos, e vendem a transportadora aérea nacional e abrem mão da sua capacidade de decisão…provavelmente, no futuro, terão de atender, primeiro, os outros e, depois, talvez possam preocupar-se com o turismo da zona centro.

A minha opinião é a seguinte:

Primeiro, é preciso dizer que nunca li nenhum relatório sobre os possíveis aeroportos complementares a Lisboa. Não sei por que foi abandonada a hipótese Ota, também se falou em Alverca e em Sintra, Alcochete depois e, agora Montijo. Nem tenho formação / informação para discutir um assunto desta complexidade. Portanto, falo de cor. É só intuição!

Em segundo lugar, a opção por um aeroporto complementar, não é uma “solução”, é um “remendo”. E digo isto, porque, com essa solução, dos dois principais  problemas graves com que o aeroporto de Lisboa se confronta neste momento, apenas um é, temporariamente, aliviado – o da capacidade de movimentos, ou seja, aterragens e descolagens, que estará, julgo eu, próximo do limite máximo. O outro problema, o que considero mais grave, a localização dentro da cidade, esse manter-se-á.

A solução? Um novo aeroporto, de raiz, fora da cidade, com 2 faixas (4 pistas), a mais ou menos 1,5 kms uma da outra, uma estrutura única que concentre todos os movimentos, com aterragens e descolagens em simultâneo. Há sítio para isso? Diz-se que Alcochete tem essa capacidade. Não sei! Montijo não tem! Monte Real parece-me que também não! Para além da distância! Problemas de impacto ambiental? Certamente que sim! Não faço ideia onde serão maiores! Há capacidade financeira? Admito que não! A menos que se fizesse de maneira faseada. Primeiro, uma faixa (duas pistas) e durante uns tempos (anos) seria complementar de Lisboa. Posteriormente, outra faixa e entraria na fase definitiva, libertando Lisboa. Seria uma maneira de aproveitar melhor o investimento e caminhar mais depressa para uma solução definitiva! Mas…é só uma opinião!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 21:34
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Terça-feira, 11 de Abril de 2017
Casa de pais...escola dos filhos!

Casa de pais...escola dos filhos! É um ditado muito velho!

É certo que nem sempre assim é! Mas quase sempre! E também sempre assim foi e, tudo leva a crer, assim continuará a ser! Como resolver o problema? Pois...cada um terá a sua "receita" e não custa nada opinar! O difícil é resolver! E há uma grande tendência para ter a solução para o problema do vizinho e não ser capaz de resolver o próprio!

Vem isto a propósito do tema do passado fim-de-semana, badalado pela imprensa cá de dentro e lá de fora, mais as redes sociais, relativo ao comportamento dos nossos alunos do Secundário que foram fazer “porcaria” para Espanha, ou viagem de finalistas, como se queira.

Pelas palavras dos responsáveis do hotel espanhol fica-se com a ideia que os mil alunos de que se fala se transformaram num bando de malfeitores que arrasaram tudo, ou quase, ao ponto de exigirem uma quantia de 50 mil euros para reparar os estragos. É preciso aferir a credibilidade das afirmações deste hotel!

Pelas palavras de alguns alunos não se passou quase nada, além de uma parede riscada, uns candeeiros arrancados, um televisor na banheira, um extintor abalroado, e pouco mais. Fica-se sem saber se o extintor teria sido usado para neutralizar as baratas que por lá haveria(?)…ou, eventualmente, para manifestar perante o diretor do hotel todo o desagrado pela falta de qualidade do serviço prestado e pela sua arrogância para com os hóspedes lusitanos.

Uma sr.ª espanhola, vizinha do hotel, queixava-se do barulho, que era tanto que não conseguiu dormir ao ponto de ter posto a hipótese de ter de ir passar a noite para outro lado. E outra que chamou a polícia porque pensava que os jovens estavam a lutar entre si.

Já um outro sr. também entrevistado, achava aquilo tudo normal e interessante para dar vida e mais animação aquele local.

Ouvindo a mãe de um dos alunos ficou-se a saber que, afinal, a rapaziada apenas se estava a divertir, foi para isso que fizeram esta viagem, é normal que bebam demais, os adultos também fazem o mesmo, quando se juntam, e se fosse para não fazerem barulho tinham alugado um hotel em Fátima que, presume-se, é um sítio onde não se faz barulho. Portanto, depreende-se, não se passou nada de especial…! Quanto a não se fazer barulho em Fátima…será uma novidade, mas se a sr.ª o diz…pode ser que assim seja! A menos que estivesse a referir-se a algum retiro espiritual onde seria descabido bebedeiras, algazarras, vandalismo e outras diversões associadas!

Posto isto e em jeito de conclusão:

Alguns destes alunos não souberam comportar-se! É uma vergonha!

Os pais destes alunos são os principais culpados, porque não souberam dar-lhes a educação necessária para viver em sociedade, onde o respeito pelo outro é o limite da liberdade de cada um! Parece que ainda não perceberam que a melhor forma de ajudar os filhos na sua educação não é a permissividade a qualquer preço, desculpabilizando os seus comportamentos por mais impróprios que sejam, em vez de os responsabilizarem e de lhes incutirem regras para uma correta inserção na sociedade. Provavelmente, em muitos casos, esta falta de respeito pelos outros vem no seguimento do que vai acontecendo lá por casa: o respeito, as regras, as obrigações, os direitos e os deveres não estarão organizados da maneira mais adequada! E, depois, isto vai refletir-se no comportamento escolar, evidentemente! E as escolas, o sistema de ensino em que estes alunos estão inseridos, não estão apetrechadas dos instrumentos necessários para conseguirem corrigir aquele desvio; nem ao nível material, nem pessoal, nem legislativo. A escolaridade obrigatória até aos 18 anos elevou o grau de exigência para patamares que estão muito acima da capacidade de resposta atual. A escola deve ser o seguimento e o aprofundamento da harmonia familiar, quando ela existe, transformando o seu caráter de obrigação em atracão e satisfação, mas também deve assumir uma função corretiva nos casos em que aquela harmonia não existe, numa tentativa constante de inverter a situação, porque, se assim não for, não faz sentido que a obrigatoriedade de frequência exista. Mas, para que isto possa acontecer, casos haverá em que algo terá que ser imposto! E, aqui, aumentam as dificuldades. Porque, sem a participação colaborante dos pais / encarregados de educação tudo fica mais complicado e não haverá estratégia que vingue. E a primeira interrogação que se coloca é: estarão os pais conscientes dessa necessidade e disponíveis para colaborar?

Uma coisa parce certa: o sistema educativo e as famílias têm muito que repensar e mudar se quiserem que o futuro seja melhor que o presente!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 11:21
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Quinta-feira, 23 de Março de 2017
O relatório do BCE

Segundo o BCE (Banco Central Europeu), há seis países da U.E. que apresentam desequilíbrios excessivos nas suas contas (Bulgária, Chipre, Croácia, França, Itália e Portugal) e três destes (Chipre, Itália e Portugal) vão ter de apresentar em Bruxelas, até ao próximo mês de Abril, um programa de medidas a adotar no sentido de reverter esta situação. Se o não fizerem, o BCE ameaça desencadear procedimentos de penalização, aplicação de sanções que, no caso português, poderão ir aos 190 milhões de euros.

Ora, no momento em que as “contas” internas parecem (ou pareciam!) registar alguma melhoria e o país começava a respirar algum alívio pela previsível saída, já no próximo mês, do chamado “procedimento por défice excessivo” o BCE vem, com o seu último relatório, pôr tudo isto em causa. Porquê? Os entendidos saberão responder! Eu não sei! Mas não deixo de ter uma opinião, que é a seguinte:

Em primeiro lugar, porque quem dirige a EU (Banco Central Europeu, Parlamento Europeu e Comissão Europeia), assim como o FMI, nunca viram com bons olhos a atual solução governativa encontrada pelo Parlamento Português e, consequentemente, a política seguida pelo atual governo. As famílias políticas tendem a desenvolver um sentimento tribal de proteção dos seus membros e, consequentemente, dificultar a vida aos adversários. Vai sendo normal!

Em segundo lugar, porque se esta solução vingar (ou vingasse!) seria o descrédito da política de grande austeridade que impuseram e que o governo anterior seguiu e a confirmação de que, afinal, havia outra alternativa. Não é, pois, de estranhar que vão dificultando, ora com chamadas de atenção, como faz o ministro alemão das finanças, ora com taxas de juro por medida, mais as graçolas do ministro das finanças da Holanda e Presidente do Eurogrupo e os palpites da presidente do FMI, ou, como agora, com este relatório do BCE, ou, ainda, com as notações das agências de rating que lá vão fazendo a “reciclagem” da lixaria que vai por esta Europa, conforme as conveniências dos donos.

E é nesta “encruzilhada” que surge o sr. Presidente da República que, agastado com o relatório do BCE, referindo-se ao vice-presidente desta instituição, pergunta:

O que é que Vitor Constâncio lá está a fazer?

Ora, a resposta parece óbvia: como o sr. prof. Marcelo muito bem sabe, o vice-presidente do BCE estará lá para fazer aquilo que o mesmo BCE quer que ele faça, ou seja, defender os interesses e os pontos de vista da instituição que lhe paga; com ou sem vontade do próprio…assim terá que ser!

Se a mesma pergunta tivesse sido feita há uns anos atrás, quando Vitor Constâncio foi governador do Banco de Portugal, aí sim, talvez tivesse havido pertinência na questão. Provavelmente, muita da libertinagem bancária a que temos assistido e que bem cara nos está a sair, poderia ter sido evitada. Agora…

E a propósito: Por que é que não se faz uma pergunta idêntica acerca do atual governador do Banco de Portugal?

O que é que Carlos Costa lá está a fazer?

 

O.C.



publicado por ouremreal às 20:05
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017
As 5.as de Cavaco

Cavaco Silva sentiu necessidade de escrever e publicar um livro a que deu o nome de “quintas-feiras e outros dias” para, segundo diz, prestar contas aos Portugueses do tempo em que foi Presidente da República. E nesse livro faz um forte ataque ao antigo primeiro-ministro Sócrates, revelando aspetos do relacionamento entre ambos no exercício das respetivas funções.

A primeira sensação com que se fica é de alguma surpresa, porque não tenho ideia de outro P.R. ter tomado decisão idêntica. Esta necessidade de se explicar é sintoma de que terá percebido que a ideia com que os Portugueses ficaram da sua presidência não será muito favorável. Daí, o melhor seria compor o retrato, ao seu jeito, sem contraditório. E para dar mais força ao objetivo, dedicou uns capítulos a Sócrates e adjetivou a ação do ex-governante como lhe apeteceu. Com razão ou sem ela! Para o caso tanto faz! Podemos sempre achar que foi assim, ou ao contrário. Haverá, de certeza, muitos apoiantes para ambos os lados!

A segunda sensação é de estarmos perante uma personalidade que, afinal, mostra ser, exatamente, como aquele a quem acusa – não é de confiança! Se é capaz de revelar aspetos do relacionamento entre Primeiro-Ministro e Presidente da República, no exercício das suas funções, então não merecia mesmo que o seu interlocutor falasse abertamente, se expusesse, confiasse, porque, à menor divergência, veria as suas declarações, ações, opiniões, ou o que lhe quisermos chamar, serem divulgadas. É o que este livro também acaba por mostrar.

Por fim, duas perguntas:

A 1.ª - como é que um Presidente da República convive, suporta, mantém em funções um Primeiro-Ministro como aquele que o livro refere? Falta de coragem? Cobardia? Ou tática político-partidária? Ou tudo junto?

A 2.ª – será que não haverá, ainda, outras contas para prestar…?

 

O.C.



publicado por ouremreal às 22:26
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017
Gamanço

A EDP cobra indevidamente! E os “parasitas” aproveitam!

Pois é, a EDP deixou de ter “tempo” para fazer leituras de contador da eletricidade e resolve fazer contas por estimativa! E não é só a EDP! E como as estimativas tendem a ser feitas por excesso e não por defeito, nas contas de 2016 a EDP “calculou” que o meu consumo de eletricidade não foi o que, realmente, o contador marca, mas mais 144 KWH.

Como todos sabemos, cada kwh gasto custa qualquer coisa como 16 cêntimos e meio. E por cada dia de energia elétrica, conforme a potência contratada, temos de pagar, mais ou menos,  30 cêntimos e 6 décimas. A tudo isto acresce o IVA, claro!

E, a seguir, vêm os “parasitas” que, tal como nas faturas do consumo da água, beneficiam de taxas e taxinhas e que, claro está, quanto maior for a cobrança maior o quinhão que arrecadam!

É o caso da taxa fixada pela Direção Geral de Energia e Geologia (7 cêntimos/mês) e justificada pela utilização das instalações elétricas; mais o IVA;

Mais um imposto especial criado em 2012 e referente ao consumo de energia – taxa de 0,001 por cada kwh; mais o IVA;

Mais a taxa do audiovisual – 2,85 € por mês – entregues, mensalmente, à Rádio e Televisão de Portugal; mais o IVA.

Em resumo:

Não bastava ter que suportar a despesa do que consumi, como ainda ter de aguentar os dislates de uma empresa que age como lhe convém, porque o Estado não cuida de defender os cidadãos, permitindo que estas situações aconteçam.

Fico com a sensação de que esse mesmo Estado é permissivo, porque, afinal, beneficia do abuso cometido pela empresa.

 

O.C.



publicado por ouremreal às 19:56
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017
Aos 65 anos

Há uns tempos, um idiota qualquer que anda por aí, classificou os mais idosos como “peste grisalha”. Assim como que uma calamidade social a que urge pôr fim…! Não cheguei a saber se o tal idiota acabou, ou não, por propor uma solução para o “problema”! Nem isso teria grande importância se ele fosse o único a pensar que os mais idosos são uma ameaça social e, como tal, a merecerem uma vigilância apertada. Não no sentido de lhes dar melhores condições de vida, mais apoio e acompanhamento aos que deles necessitarem, mas no sentido de lhes dificultar a vida e, com algum artifício e falso moralismo pelo meio, lhes sacar mais uns euros!

Afinal, ao que parece, a idiotice alastrou!

Sim, porque se o que passo a transcrever, for mesmo assim, receio que estejamos perante uma perseguição inqualificável:

A idade, as doenças e os efeitos da medicação nas pessoas acima dos 65 anos faz com que os condutores que queiram fazer a renovação da carta de condução tenham de fazer uma formação obrigatória para atualizarem os seus conhecimentos”.

Com esta “determinação” ficaríamos a saber:

- Que a idade, as doenças e os efeitos da medicação até aos 65 anos não têm importância nenhuma; no dia seguinte ao 65º aniversário, são uma desgraça!

- Qualquer cidadão, com menos de 65 anos, mais doente, menos doente, mais medicado, menos medicado, mais “marado”, menos “marado”, pode continuar a conduzir, tranquilamente, porque não precisa de "atualizar os conhecimentos"!

- Qualquer cidadão, com 65 ou mais anos, por mais saudável que seja, mesmo que nunca tenha tomado um comprimido, é obrigado a fazer formação, porque precisa de “atualizar conhecimentos”!

- Não sabendo, exatamente, o que significa “atualizar conhecimentos”, receamos que “formação obrigatória” seja qualquer coisa que se tenha de pagar!

É claro que a idade “estraga”! Mas não estraga só a partir dos 65;

É claro que as doenças “estragam”! Umas mais do que outras, naturalmente! E até podem “estragar” mais antes do que depois dos 65; Não escolhem idades!

É claro que a medicação pode “estragar”! Antes e depois dos 65!

Toda a gente sabe que assim é!

E ninguém de bom senso pode deixar de ficar preocupado com tanta barbaridade que se vai fazendo por aí, ao volante, nas nossas estradas. Agora, descarregar a “fúria” das preocupações em cima dos “65”, não é, apenas, ridículo, é também, a demonstração de que há gente que não sabe o que anda a fazer. Ou, o que seria mais grave, sabe muito bem o que anda a fazer: atacar os mais vulneráveis, os mais fragilizados, os que têm menos capacidade para se defenderem, os que não têm sindicato que os defenda, os que não podem fazer greve que comprometa o que quer que seja. E isto é, no mínimo, uma cobardia!

 

O.C.



publicado por ouremreal às 19:27
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2016
O dia 1º de dezembro

Neste 1 de Dezembro de 2016, confesso que também não teria muita vontade de aplaudir o rei de Espanha, tal como, na Assembleia da República o não fizeram alguns deputados. E, se aplaudisse, seria por uma questão de cortesia; nada mais! Não pelo rei Filipe VI, contra o qual nada tenho, mas porque estaria a aplaudir o país que ele representa, a Espanha, e isso é coisa que não me apetece muito fazer. Porquê? Não sei bem, mas talvez porque fui criado, educado, habituado a valorizar em excesso alguns aspetos da nossa história, talvez a puxar demasiado pelo lado patriótico (ou patrioteiro?), em detrimento de outros aspetos que com o andar dos tempos se têm vindo a revelar mais saudáveis no que toca ao relacionamento entre povos e nações e mais adequados aos interesses de todos.

De qualquer maneira, deixo a minha reflexão histórica sobre os antecedentes que levaram ao domínio castelhano que durou 60 anos, as motivações para os acontecimentos daquele dia  1º de Dezembro de 1640 e as consequências nefastas para Portugal de todos aqueles anos de domínio estrangeiro e dos que se lhe seguiram, até ao início do século XVIII.

O rei D. Sebastião, que ainda era um jovem, mais uma grande parte da nobreza, da burguesia e do clero que o influenciavam, aproveitando uma zanga de “família” no reino de Marrocos, aí vai, rumo ao norte de África, para mais uma “cruzada” contra os “infiéis”. (Esta loucura da religião é muito velha…e não há meio de acabar!)

O resultado disto, todos o sabemos: o exército português foi derrotado, completamente destroçado, na batalha de Alcácer- Quibir, a 4 de Agosto de 1578; os que não morreram foram feitos prisioneiros, poucos conseguiram escapar, o próprio rei terá morrido na batalha e os que quiseram regressar tiveram de pagar altos resgates que deixaram o País na penúria.

Como o D. Sebastião não tinha filhos pôs-se o problema da sucessão, tendo aparecido 7 pretendentes. Referindo, apenas, os mais influentes: em primeiro lugar, segundo o grau de parentesco, estava o cardeal D. Henrique, tio-avô do monarca; o quarto era Filipe II, de Espanha, neto do falecido rei de Portugal, D. Manuel I e o sétimo pretendente D. António, Prior do Crato, que, por ser filho ilegítimo do infante D.Luis, foi relegado para o fim da lista; caso contrário estaria mesmo à frente do próprio cardeal na ordem da sucessão.

Seguiram-se reuniões, conversações, influências e, diz-se, muitos subornos. As Cortes reuniram em Lisboa em 1579 e em Almeirim em 1580. Foi no decorrer destas últimas que morreu o cardeal D. Henrique, que já contava com cerca de 80 anos e foi também delas que saiu uma Junta de 5 governadores que o próprio cardeal nomeara para governar o Reino até à sucessão. Sabe-se que a maioria destes era a favor de Filipe II. E grande parte do clero, os nomes mais influentes, também. Idem, a burguesia que via nesta união ibérica uma boa oportunidade para aumentar rendimentos e riqueza. O próprio D. Henrique teria manifestado vontade de nomear Filipe II como rei de Portugal.

Do outro lado, o Povo, com o Prior do Crato, que teria de enfrentar a ambição do rei de Espanha e a “traição” grande parte da nobreza, da burguesia e do clero. Filipe II apressou-se a impor a sua força, invadindo Portugal e derrotando o exército português na batalha de Alcântara, tendo o Prior do Crato sido obrigado a fugir para a Ilha Terceira, de onde tentou continuar a governar. Aqui conseguiu negociar o apoio da Inglaterra à sua causa, mas as tentativas que fez, primeiro, para reconquistar Lisboa com a ajuda da armada inglesa e, depois, numa batalha naval ao largo da ilha de S. Miguel (26 de Julho de 1582) não tiveram êxito. Acabou por se exilar em França, vindo a falecer em 1595.

Filipe II acabou por ser nomeado rei de Portugal nas Cortes de Tomar, iniciadas a 16 de Abril de 1581, no Convento de Cristo e, com o intuito de acalmar os mais exaltados e satisfazer os que o apoiaram, fez questão de deixar muitas promessas que se sintetizam:

- Respeitar as liberdades, privilégios, usos e costumes da monarquia portuguesa;

- Reunir sempre cortes em Portugal e manter todas as leis portuguesas;

- Os cargos de vice-rei ou de governador de Portugal deveriam ser mantidos por portugueses ou membros da família real;

- Os cargos previstos para a Corte e administração geral do Reino seriam sempre preenchidos por portugueses;

- Os portugueses poderiam também ocupar funções públicas em Espanha;

- O comércio da Índia e da Guiné apenas poderia ser feito por portugueses;

- Não poderiam ser concedidos títulos de cidades e vilas senão a portugueses;

- A língua nos documentos e actos oficiais continuaria a ser o português;

- Todos os anos seriam criadas duzentas novas moradias (ordenados que eram entregues aos fidalgos a partir dos doze anos) e a Rainha deveria ter sempre como damas nobres portuguesas;

- O príncipe herdeiro D. Diogo, seria mantido e educado em Portugal;

- As guarnições castelhanas seriam retiradas e conservar-se-iam as armas reais de Portugal na moeda corrente;

 

Não tardou que algumas das promessas deixassem de ser cumpridas, dando lugar a um certo desencanto e, naturalmente, a um progressivo descontentamento.

 

- As tropas portuguesas começaram a ser chamadas para combater nas guerras que a Espanha mantinha na Europa; 

- Quebra das remessas de prata americana;

- Lançamento de novos impostos;

- Desleixo pelas possessões portuguesas que começaram a ser atacadas pelos inimigos de Espanha;

- Nomeação de estrangeiros para os principais cargos do reino;

- Total desrespeito pelas cláusulas das Cortes de Tomar por parte dos sucessores de Filipe II.

 

Os motins populares começaram a acontecer um pouco por todo o País, em especial no período entre 1628 e 1637, tendo ficado conhecidos como os “motins da fome”, tendo o seu epílogo com a revolta de 1 de Dezembro de 1640, em que um grupo de nobres, liderado pelo 8.º duque de Bragança, D. João, destituiu a duquesa de Mântua, governadora de Portugal, matou e lançou pela janela o seu secretário, Miguel de Vasconcelos e instaurou a independência do reino.

 

O duque de Bragança foi aclamado rei com o título de D. João IV e Portugal teve que começar a preparar a sua defesa e organizar-se militarmente para a previsível reação espanhola. Esta não aconteceu de imediato, dados os conflitos em que Espanha estava envolvida, nomeadamente a revolta da Catalunha, e Portugal teve tempo para preparar essa defesa e, entretanto, conseguir o apoio dos inimigos de Espanha. (França, Inglaterra e também Alemanha). Com eles se celebraram alguns acordos que permitiram treinar e equipar os nossos exércitos, mas que, em certos aspetos, se revelaram ruinosos para o nosso País. Tivemos de pagar juros altos e, nalguns casos, alienar alguns territórios em África e na Índia. Caso da Inglaterra, que aproveitando a fraqueza e a necessidade absoluta de Portugal, em troca da promessa de apoio, exigiu o casamento da princesa Catarina de Bragança com o rei Carlos II, levando, em dote, Bombaim e Tânger.

 

Com os holandeses, que durante a dominação castelhana invadiram e ocuparam algumas possessões portuguesas em África e América, não foi possível estabelecer a paz, tendo-se prolongado a guerra até 1648, em África e 1654 no Brasil. E, ainda, tentaram conquistar Lisboa com um cerco que durou três meses, em 1657, um ano após a morte de D, João IV (1656); era regente D. Luisa de Gusmão, dada a menoridade do Príncipe D. Afonso.

 

Seguiu-se um período conturbado na Corte Portuguesa com a regência da rainha a prolongar-se e a cada vez maior evidência que o futuro rei, D. Afonso, não reunia condições físicas nem mentais para assumir o cargo com garantias de um reinado forte que a situação exigia. Até que, em 1662, um golpe palaciano destitui a rainha e é consumada a coroação do príncipe com o título de D. Afonso VI.

Começou a sobressair a figura de um primeiro-ministro, entretanto nomeado, Luis de Vasconcelos e Sousa, conde de Castelo Melhor que era, na prática, quem governava. O conde esperava conseguir um maior apoio da França no conflito que nos opunha a Castela ao promover o casamento do jovem rei com uma nobre francesa, Maria Francisca de seu nome, o que veio a revelar-se um fracasso. Por um lado porque o casamento acabou por funcionar mal e, por outro, os franceses não deram ao acontecimento a importância que o seu promotor esperava.

 

Como se previa, Castela não desistiu de reconquistar Portugal e, com esse propósito, invadiu o território nacional, dando-se início a um período de 28 anos de conflito que ficou conhecido como guerra da restauração, tendo as principais batalhas ocorrido em Montijo (1644), Arronches (1653), Linhas de Elvas (1659), Ameixial (1663), Castelo Rodrigo (1664) e Montes Claros (1665).

E para fazer face a todos os encargos decorrentes de todo este período de guerras foi necessário recorrer ao aumento de impostos o que provocou forte descontentamento entre a população levando a um progressivo isolamento e contestação do rei e do seu ministro e ao surgimento dos que se lhe opunham, em especial o irmão do rei, D. Pedro, e os seus partidários, de que se destacava o duque do Cadaval. Estes, depois de conseguirem o apoio dos ingleses, levaram a cabo um golpe de Estado e instalaram no poder D. Pedro que passou, primeiro, a regente do reino (1667) e, logo depois, a rei, segundo as Cortes reunidas para o efeito, com o título de D. Pedro II. Uma das primeiras medidas do novo rei foi casar com a cunhada, depois de obtida do Papa a anulação do casamento desta com Afonso VI.

Entretanto, o rei de Espanha, Filipe IV, morre em 1665 sucedendo-lhe o filho Carlos II e foram os dois novos monarcas, também por interferência da diplomacia inglesa, que puseram fim a um longo período de guerra, assinando a paz no tratado de Lisboa a 13 de Fevereiro de 1668.

Mas, uma vez mais, o apoio dado pela Inglaterra gerou contrapartidas que acabaram por se refletir, negativamente, na vida dos Portugueses que viram, poucos anos depois, o porto de Lisboa tornar-se no principal ponto de entrada dos produtos ingleses. D. Pedro II e o seu ministro, o Conde da Ericeira, ainda esboçaram uma tentativa de resolver a crise financeira do País, ao seguir as ideias mercantilistas que se desenvolviam pela Europa, tentando reduzir as importações que nos levavam as escassas divisas de que dispúnhamos, incrementando a criação de indústrias nacionais bem equipadas e competitivas. Mas esta iniciativa fracassou com a morte do Conde da Ericeira e surgem novos interesses que colocam, uma vez mais, a agricultura como motor do desenvolvimento nacional, o que coincidia com os interesses ingleses já que, por um lado, nos mantinha na sua dependência ao não conseguirmos produzir produtos de que necessitávamos e, por outro, permitia um maior incremento da produção de alguns produtos agrícolas, nomeadamente têxteis e vinho, de cuja importação tiravam muitos lucros.

E a dependência da Inglaterra viria a acentuar-se, quando, em troca de uma nova aliança militar, se assinou o Tratado de Methuen, em 1703, segundo o qual os têxteis ingleses passavam a entrar livremente em Portugal, colónias incluídas e foram aumentadas, substancialmente, as exportações dos nossos vinhos para aquele país, pois passaram a beneficiar de uma menor carga fiscal relativamente aos vinhos franceses. Em termos económicos Portugal ficou a perder porque os têxteis portugueses de repente se viram incapazes de competir com os têxteis ingleses e perderam a capacidade para se desenvolver, ao mesmo tempo os ingleses também se apoderaram da exploração, comércio e transporte dos nossos vinhos.

Saímos da guerra da restauração como país independente, mas mais pobre, mais endividado, perdemos territórios em África e na Índia, perdemos os lucros do comércio do açúcar e do tabaco, tal como já perdêramos o comércio com o oriente, porque não conseguimos resistir à concorrência de outros países e os tratados que fomos forçados a fazer para garantir a defesa do País revelaram-se desastrosos para a nossa economia e para o nosso desenvolvimento.

 

O.C.



publicado por ouremreal às 21:19
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