Já todos sabemos que as mesmas afirmações não terão as mesmas repercussões se forem feitas por um cidadão qualquer, que ninguém conhece de lado nenhum, ou se forem feitas por alguém a quem se convencionou exigir a perfeição em tudo o que faz e diz e que, como tal, não pode colocar uma vírgula que seja fora do sítio.
Todos os dias ouvimos gente das mais diversas condições sociais barafustar contra as condições de vida que nos estão a ser impostas; todos os dias há
gente a queixar-se das pensões de miséria com que tem de sobreviver. É certo que muitos dos que se queixam deveriam começar por se queixar de si próprios, das condutas que têm, ou tiveram, do que fazem, ou fizeram, para merecer melhor. Alguns dos que se queixam não terão, sequer, razão para o fazer, mas, a grande maioria, terá razão para se queixar e, até, para muito mais do que isso.
O que ninguém compreenderá é que o Presidente da República venha afirmar, para quem o quis ouvir, que, também ele, está a ser vítima de toda a austeridade que nos está a ser imposta ao ponto de ter uma pensão de reforma tal que nem lhe chega para as despesas.
E como ninguém compreende, porque não é para compreender, vai daí que a comunicação social que temos, mais os comentadores, opinadores e similares que andam por aí a dizer coisas, aproveitaram, todos, para transformar o assunto em acontecimento nacional e lá estamos a ouvir, constantemente, a mesma conversa, como se ouvir cem vezes o que já incomoda ouvindo uma, resolva o que quer que seja.
Não sei quanto ganha o Presidente da República! Seja pensão de reforma ou outro rendimento qualquer. Mas, por muito ou pouco que possa ganhar, há sempre a possibilidade de dizer que não lhe chega para as despesas, já que, dependerá, obviamente, das despesas que quiser ou tiver de fazer. Como acontece a qualquer cidadão.
Naturalmente que, a meu ver, poderia (e deveria) ter ficado calado. Pelo menos poupava-se mais uma afronta a quem não tem que chegue para comer! Mas aproveitar o que foi dito para por a circular um abaixo-assinado para uma petição com vista à demissão do Presidente da República é, no mínimo, uma brincadeira. Pouco séria!
Então se pelo que disse se pede a demissão, o que é que se deveria fazer por ter aprovado o Orçamento de Estado para 2012? O que é que é mais grave?
Então e todas as leis que vem promulgando, não têm importância nenhuma? Será que o Presidente da República desta semana, ou da semana passada, é diferente do do ano passado, ou de há três ou quatro anos atrás?
Ou será que teremos de colocar a discussão noutro patamar?
Ou seja: Para que serve o órgão de soberania Presidente da República?
Justifica-se, ou não, que se gastem 16 milhões de euros num ano, com o orçamento da Presidência da República?
Ou devemos começar a pensar em rever a Constituição para por em prática aquele princípio de que a direita tanto gosta de “menos Estado, melhor Estado”?
O.C.
Por razões várias, só esta semana me apercebi que o jornal " Ourém e seu concelho" cessou a publicação com a emissão do seu último número em Dezembro passado. Um quinzenário que recebi e li ao longo dos anos. Um órgão de informação local, oureense, que recordará, para sempre, o seu fundador, JOSÉ MELO. Um amigo com quem conversei muitas vezes, sobre muitas coisas... até sobre jornais e toda a problemática que envolve a imprensa local e regional. Um homem com fortes e sólidas convicções. Que sabia bem em que meio se movia, conhecia os obstáculos que lhe dificultavam o caminho e sempre teve visão, inteligência e argúcia para os contornar. Percebi as razões que o levaram a fundar o "seu" jornal. Percebi a estratégia que adotou para o fazer vingar num meio suficientemente difícil como aquele em que nos temos de mover.
Com o seu desaparecimento, a obra foi continuada pelo filho, RUI MELO, que se foi vendo confrontado com um crescendo de dificuldades que não terá conseguido ultrapassar, porque ( esta interpretação é muito pessoal e suscetível de não estar certa) não soube ( ou não quis?) encontrar a estratégia adequada para continuar a assegurar a sustentabilidade do seu jornal. E essa sustentabilidade passaria, como sempre me pareceu que passou, pelo funcionamento da sua própria tipografia, pelo relacionamento com o poder local, pelos colaboradores do jornal, pela qualidade dos conteúdos e, como não podia deixar de ser, pela vontade do seu proprietário. Nestes cinco pilares assentaria a sustentabilidade/continuidade do jornal. Uns mais fortes do que outros, porventura, mas se todos funcionassem, acabaria por haver equilíbrio. A falência de um deles, ou o enfraquecimento excessivo de mais do que um, poria toda a estrutura em causa. Confesso que não sei o que se passou! Nunca tive com o Rui a facilidade e a abertura de diálogo que tinha com o pai! Mas algo aconteceu que conduziu a este desfecho. Fosse qual fosse a causa, ou causas, só tenho que a(s) respeitar!
Uma coisa é certa: O concelho de Ourém passou a ter menos um meio de comunicação onde cabiam diferentes ( e divergentes) opiniões, um órgão que durante os últimos 40 anos (não sei, ao certo, quantos) foi, quinzenalmente, dando a imagem de um concelho, das suas gentes, dos eventos relevantes, das lutas políticas. Concordássemos ou não com a linha editorial! Concordássemos ou não com o que líamos! E muitas vezes discordei!
Uma última palavra, ou melhor, duas ou três:
- Lamento o fim do "Ourém e o seu concelho"
- Obrigado JOSÉ MELO! Obrigado RUI MELO!
O.C.
O município de Ourém não quere automóveis na via pública com um papel no vidro a anunciar qualquer coisa que possa levar à conclusão de que o respetivo proprietário pretende negociar o dito.
Continuo a não perceber o porquê desta embirração, principalmente porque não entendo como é que um papel no vidro muda a situação de uma viatura de legal para ilegal, como é que uma folha de papel com um número de telefone escrito, coloca uma viatura numa situação de infração, propiciadora daquela cegada do... " põe o papelinho da multa, bloqueia roda, chama o reboque, leva o carro, paga a multa, mais o transporte do carro, mais as horas em que o carro esteve retido e à guarda não sei de quem, para, no final rapar cento e muitos euros ao pagante do costume".
Não sei se é por uma questão de estética, se é um problema ecológico, ou se é por uma questão económica. Ou se a causa é outra!
Ao fim de quantos dias de estacionamento é que o município considera que a viatura está abandonada? E se não tiver o papel no vidro, o critério é o ,mesmo? E se o proprietário da viatura puser o tal papel e andar a circular, normalmente, a fazer a sua vida? É intercetado, mandado parar, carro bloqueado, multado e por aí fora? E se alguém achar graça e quiser alinhar na cegada e puser um papel no vidro sem nada escrito? Também está a infringir o código da estrada? Que artigo?
Pois, não é por nada, mas seria bom que o município se explicasse e arranjasse argumentos convincentes para não andarmos por aqui a correr o risco de fazer figura de parvos.
O.C.
Ouvi hoje, em entrevista numa rádio, um dirigente do PSD defender o seu líder partidário e primeiro-ministro Passos Coelho, a propósito da emigração dos professores, apontada como uma solução para o desemprego destes profissionais, como, aliás, outro governante já tinha sugerido para a generalidade de todos aqueles Portugueses que se vêem na mesma situação.
A certa altura da conversa, dizia aquele dirigente que o primeiro-ministro só estava a ser honesto e responsável ao dizer a verdade aos Portugueses e os professores só lhe deviam estar gratos por ele lhes estar a sugerir um caminho para a solução dos seus problemas.
Depois comparou o atual primeiro-ministro com o seu antecessor dizendo que, ao contrário deste, não esconde a realidade do país, diz a verdade. E apontou, em jeito de exemplo, que, se ambos tivessem um carro velho para vender, o atual pm diria que se tratava, de facto, de um carro usado, já com 120 mil kms, com um acidente, mas devidamente reparado, por um bom preço, com um ano de garantia e, portanto, num estado muito satisfatório.
O anterior pm, ao vender o mesmo carro, diria que era um carro excelente, com apenas 120 mil kms, com todas as revisões feitas em devido tempo, omitiria o caso do acidente, por um ótimo preço, com garantia de um ano e que o comprador ficaria bem servido.
Depois desta conversa fiada, fico sem saber:
- Se os professores aconselhados a emigrar estarão gratos ao pm pela ajuda que a sugestão lhes trará, ou se, ao contrário, estarão a dizer mal da vida e a lamentar o voto que lhe deram nas últimas legislativas (os que deram! E terão sido muitos!).
- Tão pouco se saberá se algum dos vendedores conseguiria vender o carro. Mas, uma coisa é certa: o carro seria, exatamente o mesmo, com uma conversa ou com outra, o que significa que o comprador ficaria tão bem (ou tão mal) servido, comprando a um ou a outro. Isto, quanto a estilos de venda de automóveis. Governar um país é outra coisa!
Para terminar: - O tal dirigente do PSD, ao afirmar que alguém deverá estar grato a um pm que, o melhor que sabe fazer para resolver o desemprego dos seus concidadãos é aconselhar os desempregados a emigrar, só está a confirmar que a incompetência e o ridículo, por vezes, andam de braço dado.
- E, ao comparar estilos de venda de automóveis com estilos de governação de um país, revela uma leveza de espírito que só pode assustar o mais crente dos mortais.
É caso para perguntar: Porquê um castigo destes?
O.C.
A Câmara de Ourém ameaça bloquear, ou rebocar, os automóveis que nos espaços públicos, ostentem aquelas informações, hipoteticamente destinadas à venda desses veículos, tipo "venda", "trata" ou, simplesmente, o "número de telefone".
É o que leio nalguma imprensa da região.
E não deixo de ficar surpreendido, porque, primeiro, não entendo o porquê desta atitude; segundo, não alcanço qual possa ser o objetivo.
A menos que se trate de uma questão de fiscalidade...
Ora, ao que parece, um automóvel estacionado em espaço público, se tiver um papel no vidro com um número de telefone incomoda a Câmara Municipal; se não tiver o papel já não incomoda. Partindo do princípio que as questões relacionadas com a fiscalização do trânsito, estacionamento incluído, ficam a cargo da autoridade policial competente, só podemos concluir que se o veículo estiver mal estacionado essa autoridade resolverá, se estiver bem estacionado sobra a questão do papel com o número para a Câmara Municipal entrar em ação.
Daí que o "problema" passe a ser o papel e não o veículo.
E por que é que um papel com um número escrito pode ser um problema?
Será por razões de estética?
Por razões ambientais?
E o problema é o mesmo se o número não for o de um telefone?
E se o automóvel, em vez de estar em espaço público, estiver em espaço privado, com o mesmo papel no vidro, também incomoda? E quem é que o vai rebocar, ou bloquear lá no quintal do dono?
Quanto aos objetivos desta ideia luminosa, só posso ver a fiscalidade.
Se considerarmos o tal papel como sendo um anúncio publicitário poderemos estar perante uma irregularidade por parte do proprietário do veículo, que carecerá de uma autorização para tal, pagar, eventualmente, as devidas taxas e, por conseguinte, contribuir, desse modo, para os cofres públicos.
Resta saber que tratamento será dado a todas as viaturas que por aí circulam, com publicidade escrita nos vidros, nas portas, nos tejadilhos, à frente, atrás, em tudo quanto é sítio. Vai ser tudo bloqueado ou rebocado? Ou esses estão isentos?
Que fique claro que não conheço as posturas e regulamentos municipais e, por conseguinte, admito poder estar a ver mal a questão!
Mas há coisas que não dá para entender!!!
O.C.
Na eventualidade de um qualquer funcionário público passar por este blog, fica convidado a deliciar-se com esta pérola literária que, certamente, o fará comover, quem sabe, até, derreter-se em lágrimas, pelo carinho e apreço manifestados para com os ditos funcionários deste país.
Citação de partes do conteúdo da página 511, do livro de Álvaro Santos Pereira, intitulado "Portugal na hora da verdade - como vencer a crise", na parte denominada "políticas para retomar o sucesso":
"Uma verdadeira reforma do Estado que torne as nossas contas públicas saudáveis e sustentáveis não deve ser feita contra os funcionários públicos ou contra o serviço público. Antes pelo contrário.Uma verdadeira reforma da administração pública terá de melhorar o serviço público, não piorá-lo.
Uma verdadeira reforma do Estado terá de incentivar a auto-estima dos funcionários públicos e fazer com que sejam eles próprios a estimular a mudança de que a nossa administração pública necessita.
Finalmente, uma verdadeira e duradoura reforma do nosso Estado não poderá encarar a necessária dieta da administração pública como uma mera poupança de euros e de despesa pública, mas sim como uma oportunidade única para melhorar a eficiência do Estado e, assim, simplificar e auxiliar a vida dos portugueses.
A culpa do descalabro das finanças públicas nacionais não é dos funcionários públicos, é dos governos."
Comentando:
1 - Subscrevo, inteiramente, e com aplauso, as afirmações atrás citadas.
2 - O autor daquelas afirmações, antes de ser ministro da economia, terá alguma coisa a ver com o dito autor depois de ser ministro da economia? Ou estaremos perante um indivíduo com dupla personalidade? Ou o ministro da economia não tem nada a ver com as tropelias que estão a ser feitas pelo governo deste país aos funcionários públicos?
3 - Estava a tentar encontrar uma relação causa-efeito entre a destruição da função pública em curso, incluindo os cortes dos subsídios de natal e férias, com a bonita prosa do sr. Álvaro, mas não consigo encontrar nada em comum, para além da "necessária dieta". O que me leva a crer que as tão faladas gorduras do Estado, que é preciso cortar, estão mesmo aqui, nos funcionários. Quem diria! Nunca pensei tal! Mas, a ser assim, preparem-se, porque a seguir vão cortar uns dias de férias, talvez tenham que ser revistas, para baixo, as tabelas salariais, um aumentozito nos horários de trabalho, uns despedimentos, mesmo que lhe tenham que dar outro nome, uns quadros fantasmas onde são colocados os que não são precisos(?) e levam um pontapé no rabo logo que calhe, enfim, aquelas coisas que queimam calorias, porque se vocês não cuidarem da dieta terão que ser os nossos zelosos governantes a tratar disso.
Eu só estou a avisar!
O.C.
Finalmente, uma notícia agradável!
O espetro noticioso nacional vai ficando demasiado deprimente para quem ainda vai tendo alguma capacidade crítica e o discernimento suficiente para perceber que a imbecilidade que vai reinando acabará por nos atirar para os meados do século passado, e voltar a viver das couves, dos feijões e das batatas que se criavam lá no quintal. Assim haja sítio e vontade para os cultivar!
Daí que, em jeito de férias para os espíritos de quem preza a sua saúde mental (e a outra), desligar o televisor, nem que seja por 24 horas, não só poupa na conta da eletricidade, mas também na da farmácia, porque os nervos acalmam-se e a tensão arterial tende a normalizar.
Só que, e aqui levanta-se outro problema, a revolta interior, (que já não tem cura!) e que vai andando, mais ou menos abafada, acaba por vir ao de cima, e a preocupação de saber se ainda estamos apenas mal ou se já estamos pior, faz saltar a tampa e lá vai o dedo carregar no botão do "onofre", ou seja, o botão que faz on/off (porque os portugueses não sabem dizer ligar/desligar).
Foi o que me aconteceu. Sem televisão, nem rádio, durante o dia de ontem, não sabia do desfecho do naufrágio da embarcação de pesca de Caxinas e do resultado das buscas para encontrar os seis ocupantes. Hoje, de manhã, a notícia que estava a correr, quando liguei o televisor, anunciava, precisamente, que tinham sido localizados e estavam salvos. Senti uma enorme satisfação! Direi mesmo que foi a notícia mais agradável que me chegou, via televisor, nos últimos tempos.
Que começou logo a ser estragada com a reportagem de uma senhora repórter que bombardeou os percadores com perguntas parvas, como se interessasse a alguém saber "que pensamentos tiveram naqueles momentos de aflição", "como se sentiram", e não sei que mais.
Antes que a coisa piorasse e voltássemos ao assunto "Mercozy" e ao que anda à volta disso, ou caíssemos no nacional parolismo centrado na discussão do programa da governação para 2012, com os proeminentes figurantes do momento Coelho, Portas, Relvas, Gaspar e C.ia, mais uns comentadores sabichões, a dizer que não há almofadas, nem folgas, que acabam com os feriados x e y, que temos de trabalhar mais meia hora por dia, que temos de estar preparados para uma eventual saída do euro, que vão rever as tabelas salariais, mais os subsídios de férias e natal que foram à vida, mais o agravamento de impostos, mais isto, mais aquilo, só não dizem que, afinal, são uns incompetentes, e aldrabões, e que a basófia eleitoral não passa disso mesmo - basófia, antes que isto acontecesse, desliguei o tal botão.
Tem sido uma tarde tranquila, até porque, por onde tenho andado, tudo está calmo, sem poluição de qualquer espécie, a confirmar que o contacto harmonioso com a Natureza, sempre que se possa, só pode ser compensador.
O.C.
Estou sensibilizado! Sensibilizado será pouco! Estou comovido com a profunda sensibilidade social revelada pelo governo que, depois de ouvir os muitos
apelos que lhe chegaram, foi capaz de encontrar, mais do que isso, foi capaz de inventar uma “almofadazinha” para alterar o critério de “rapar” os subsídios de férias e de natal aos funcionários no ativo e aos aposentados, em 2012.
É evidente que foi isto que o governo pensou fazer, desde o início!
É evidente que lançou para a discussão valores diferentes para poder, agora, fingir que foi sensível às dificuldades dos portugueses e mudou o limite a
partir do qual se começa a ser penalizado naqueles subsídios: primeiro era a partir de vencimentos de 485 euros, agora é só a partir dos 600; e nestes casos o corte é parcial. O limite a partir do qual se perdem os subsídios na totalidade era, no início da discussão, 1000 euros, agora é a partir dos 1100.
De facto, toda esta encenação revela que Passos Coelho e a sua equipa sabem muito bem da gravidade do que estão a fazer, das repercussões sociais que as suas medidas têm, das antipatias que estão a gerar e dos riscos inerentes. Não admira, portanto, que todas as cautelas sejam tomadas e que a ação psicológica seja redobrada. E muito cuidada! E apanhará, certamente, muita gente distraída!
E continua com a treta dos feriados, com a aliança da igreja católica. Mais a treta da meia hora de trabalho por dia, com o aplauso dos aliados do patronato.
Rejeita todas as alternativas apresentadas pelos partidos da oposição, não porque demonstre que não são exequíveis, mas porque não há margem para folgas, não há almofadas, como diz o sr Relvas, mais o sr Álvaro, porque nada pode ser mais rigoroso e infalível que o rigor e a certeza governamentais, dirá o resto do coro. Embora continue a apregoar que está aberto a todas as alternativas. Como manda a psicologia.
Passos Coelho passou, depressa demais, de bluff eleitoral, para uma ameaça governamental!
O.C.
O senhor BPI, presidente Ulrich, diz que deviam acabar as conferências de imprensa da troyka, porque são proferidas por funcionários de 7ª linha.
Em português corrente, entendo eu, ele terá querido dizer que se tratará de uns "funcionariozecos", que não traduzem, com exatidão, o verdadeiro pensamento troykiano.
Em contrapartida, gosta muito de ouvir o governo, em especial o ministro das finanças. Exprimem-se com muita clareza, diz ele.
Porquê esta preferência do senhor presidente? Não sei! Mas sou levado a crer que um dos tais "funcionariozecos" terá tido a ousadia de cometer o erro de dizer que os "cortes" com que os funcionários públicos estão a ser presenteados devem ser extensíveis ao setor privado. Se assim for, o senhor BPI tem razão. No setor privado não se toca!
Só que há uma questão que se levanta:
Então os impreparados "funcionariozecos", que deviam estar calados, são os mesmos que vão "passar o diploma" de bom comportamento ao governo por estar a pôr em prática as recomendações troykianas, ou ir mesmo mais longe do que o recomendado? Então os homens não servem para fazer uma conferência de imprensa e servem para certificar o desempenho governativo?
É urgente que o senhor BPI ponha mão nisto, porque ainda vamos cair na história das novas oportunidades, com certificações de muito duvidosa qualidade (segundo o ponto de vista do senhor primeiro ministro).
E se isto chega aos ouvidos dos Merkozys que estão a estudar a forma menos dolorosa, ou mais airosa, de nos atirar borda fora? Então será mais um passo a caminho da segunda liga europeia.
Depois queixem-se!!!
O.C.
Até parece um tunel. De facto, é uma situação que não se compreende. A estrada nacional 113, que vem de Leiria para Tomar, ou vice-versa, como se queira, pouco depois de atravessar a cidade de Ourém, quando atinge o quilómetro 29,no sentido de Tomar, foi alvo de uma intervenção no seu traçado que não lembraria nem ao mais ousado arquiteto, engenheiro, projetista, ou não sei quem mais, que se regulasse por razões que não estivessem condicionadas por motivos de ordem económica. Segundo a minha perspetiva, claro. Mas também posso estar errado!
É neste quilómetro 29 que a EN 113 é cruzada, por cima, pelo novo IC9. Daí a necessidade de construir um viaduto, mas desde cedo se percebeu que, com os pilares que estavam a ser construídos, passar por baixo, só de gatas. E como os pilares não cresceram em altura foi a estrada que teve de descer.
E a obra aí está, com a EN 113 a afundar uns 3m, ou mais, não fui medir, mas a deixar a sensação de ser uma má solução, com esta espécie de tunel, em curva, junto a um pequeno curso de água, no final de uma reta, a constituir mais um perigo para todos os que por ali terão de passar.
Compreendo que levantar o leito do IC obrigaria a gastar mais em betão, mais em toneladas de terras para além do viaduto, mais nisto e naquilo, provavelmente muitíssimo mais do que custou afundar a estrada. Mas esta solução parece má demais. E não se entende como houve a coragem de a consentir!
O.C.